quarta-feira, 26 de junho de 2019

Reflexões para a Sabedoria 4

 Não se prenda a nada que com o tempo venha a te destruir.

Somos prisioneiros e cultivadores de nossa destruição, o homem moderno desta Era é o que se encontra mais distante historicamente de se libertar e conhecer a Verdade Absoluta em relação a si mesmo, Deus e ao Todo.
Afinal de contas, temos nossa liberdade cerceada pela programação de falsos valores e verdades.
Como podemos saber quem somos se estão sempre nos dizendo como devemos ser?
Poucos desejam se conhecer e expandir-se além do que se tornaram, afinal, isto dá trabalho. Assim nos conformamos no sofá junto a TV vivenciando a vida passar, desta forma realizamos este mundo em que vivemos, através desta falta de expectativa devido a cegueira que se abate perante todos homens que acreditam ser livres dentro de suas celas prisionais do ódio, raiva, rancor, violência, preconceito, vingança, vícios, hábitos, desejos, dívidas, bancos, casa, carro, celular....Este homem moderno cava sua morte emocional, financeira, social, pois assim foi programado, consumir para saciar seus desejos e frustações de sua imagem perante os outros, até porque, a moderna falta de consciência nos ensinou que “IMAGEM É TUDO L”.
Sermos esta verdade não é mais necessário, temos o marketing L
Consumimos nossas vidas e tempo com emoções destrutivas que nos dominam, como o ódio, raiva, vingança, venenos que muitos desejam aos seus adversários de desafeto, porém, quem toma este veneno e se destrói, é VOCÊ que assim o deseja, que o produz, que o alimenta, envenenando a sua mente, sentimentos, bioquímica, desejos, seu espírito.
Pare de se envenenar, acorde deste pesadelo karmico inevitável em seu resultado.
Nossos desejos nos possuem.

Este homem moderno naturalmente sem consciência, possui seus valores atrelados ao que você possui materialmente falando. O que você é, é o resultado do quanto você tem no banco ou no bolso, não importa também se você é um cavaleiro ou um patife, a origem do dinheiro não importa, se é alcançada através de corrupção ou crime, afinal o que importa é o gozo dos sentidos, o poder econômico deste mundo louco e sem sentido que vivemos, esta falta de sentido na vida, é o resultado de nos encontramos perdidos.
Hoje você compra uma casa financiada, se endivida no banco e se torna prisioneiro de uma dívida que lhe vai consumir, aflorar o seu medo, afinal você pode perder o emprego, ficar doente, o que será de minha família, da minha vida se eu perder o pouco de poder material que alcancei? Ao se deparar com esta questão muitos caminham no karma de assaltos, crimes, tráfico, corrupção...
Você se tornou prisioneiro de seus bens e de seu Status Quo, cego na ilusão de um domínio que não possui.
Fazer o certo, normalmente é o mais difícil a ser realizado.
Este satori é muito importante, muito discípulos conhecem as implicações e importância deste verso para a Iluminação, ele se inicia com uma questão base, o que é “fazer o certo”?
O certo se existir é o caminhar pelo Dharma, sendo um exemplo de harmonia, companheirismo, altruísmo, humildade, gentileza, alegria, integridade, amor...
Valores este que o homem moderno diz possuir, o que vemos na prática de nosso dia-a-dia não ser a verdade real. Quando estendermos as mãos como Gandhi em sua caminhada de paz, sobre o voto de ahimsa, não-violência, poderemos assim parar de nos agredir uns aos outros.
Não se prenda aos desejos que tornaram sua vida um pesadelo para mantê-lo.
Muitos se perguntaram, mais como me libertar?
Um dos meus primeiros gurus dentro do sanatana-dharma foi Sri Somaka Maharaj que sempre me falava sobre o pensamento que se tornou livro: “Vida Simples, pensamento elevado”.
Foi através desta máxima vaisinava que fora ensinada por Srila Prabhupada (fundador do movimento Hare Krsna) desvenda um dos caminhos. Pensem nisso, pois será o próximo satori em busca de sabedoria.
Minhas mais humildes reverência ao meu querido Sri Gurudeva Somaka Maharaj Swami ki.....

Atenciosamente, deste simples servo do caminho.
Acarya Mahasurya Pandit Swami

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Chamada do Sagrado Feminino


  Yoni Eggs  

Yoni Eggs - difrentes tamanhos
e diferentes cristais
  Oi meninas minhas mais humildes saudações sou do Templo Polimata Boituva, trabalhamos com as ervas de poder e também sou uma das facilitadoras do time de nossas irmãs do Sagrado Feminino Polimata, onde acreditamos que através do Polimatismo, que é a junção dos diversos pensamentos teológicas, podemos enxergar através de cada linha a diversidade que encontramos nesse planeta.      O yoni eggs iniciou em minha vida através de um chamado do Sagrado Feminino, onde através de uma facilitadora consegui entender as maravilhas das pedras, os minerais são substancias inorgânicas em que estão contidos todos os sistemas da natureza que compõe nossa energia de equilíbrio, trabalha no sistema endócrino facilitando a produção balanceada de hormônios, que diferencia um ser-humano do outro atreladas a um  contato mais íntimo onde teria a oportunidade de conseguir a conexão com meu Sagrado Útero. Sem esquecer que todos os reinos da natureza possuem suas próprias manifestações da energia divina e consciência do Criador que atuam no corpo etéreo e sistemas superiores, os cristais pertencem a cadeia da Medicina Vibracional, tratam e previem doenças físicas, psíquicas e espirituais por meio da ressonância do cristal que vibra e consegue penetrar e harmonizar o campo energético da pessoa, através de vários estudos foram constatados  que as memorias tanto de felicidades quanto de dores, traumas, abusos tanto físicos quanto psicológicos ficavam registrados no útero, e que os Yoni eggs seria uma ferramenta para essa limpeza energética desses traumas com a o útero representa o templo da feminilidade, nosso vaso, nossa taça de amor  e  gestação o contato com o yoni nos faz reconectar com nosso interior, sacralidade feminina, a mãe, a intuição, o acolhimento, um mergulho em nossas reflexões com o despertar de nossos pontos energéticos, ligação de uma luz interior,  e assim tendo uma conexão mais limpa e intensa de nossa ancestralidade e facilitando gerar a energia necessária nos processos de cura, equilíbrio e limpeza energética, sem esquecer do  empoderamento feminino já que historicamente encontramos a utilização dos mesmos tanto na China pela realeza, através do taoismo o útero era chamado de palácio celestial, quanto pelas lobas brancas  (Índias mexicanas), cada uma  trabalhando com uma determinada pedra específica, devido aos tipos de vidas serem totalmente diferentes seja cultural, regional e mesmo espiritual.

energia do útero, nos faz reconectar com nosso intimo profundo,
o contato com o yoni,
    O que não podemos confundir é que o Yoni egg não fará milagres em sua vida e sim será um instrumento de grande valia para que através de cortes de crenças limitantes, egos exacerbados e traumas você se conecte a forca feminina num momento em que as mulheres estão cada vez mais despertas e procurando informações para a conexão seja por meio de vivencias, trocas de ideias através de rodas ou mesmo trabalhos específicos do Sagrado feminino e muitas terapias que veem nos auxiliar com propostas sérias e inovadoras para nosso crescimento tanto em conjunto quanto individual.
    Os Yoni também aparecem através do pompoarismo que são exercícios milenares tântricos para o fortalecimento da parede pélvica buscando saúde e prazer, na década de 40 o médico californiano Arnold Kegel descobriu em suas pesquisas com mulheres idosas vítimas de incontinência urinaria que aumentar a força da musculatura ao redor da vagina ajudava no controle do problema de vazamento de urina e também com a pratica constantes de exercícios desenvolvia uma capacidade maior para o orgasmo mesmo quando não eram capazes de atingi-los, lembrando que o ovo vai trabalhando com exercícios muitas vezes simples esse processo inclusive trabalha o libido e uma vida sexual mais plena, através do conhecimento do toque e cuidado com seu corpo a energia da pedra e suas irradiações junto aos chackras transformam a vida da mulher.
Reunião do Sagrado Feminino e curso de Yoni Eggs - Boituva
    O que precisamos agora é lutar contra certos dogmas existente que nos impedem de ter acesso a esse trabalho lindo dos Ovos, pois confesso que sou muito curiosa e que num primeiro momento relutei em fazer essa experiência por vergonha e porque tinha que me entregar de coração e confiar na cura para que conseguisse ter a experiência por inteiro.
    Só tenho que agradecer a oportunidade dos aprendizados que nunca param pois estudos vão aparecendo a cada dia junto com os feedbacks de mulheres no qual empreguei a terapia e que acompanhei, eles são uma fonte importante de estudos para o aprimoramento já que hoje tenho a noção que por ser introduzidos no canal vaginal deve ter o auxílio de uma pessoa que estuda e compreende essa terapia. Os cuidados começam ao escolher a pedra adequada já que não podem ser pedras, por exemplo, de trabalho escravo ou ornamentais, deve se ter uma higiene máxima no manuseio, e existem muitas pedras no meios lindas mais que causam distúrbio no corpo por não serem apropriadas para serem colocadas em contatos mais íntimos por soltarem substancias como  corantes, chumbos, enxofre, flúor,cobre,amianto,alumínio que são prejudiciais para o corpo, a escolha de pedra correta ao propósito de cada uma ocorre através de anamnese pois sabemos que a má utilização pode trazer desarranjos no corpo, causar candidíase e até herpes, por isso o cuidado de procurar uma boa terapeuta é fundamental para se ter os benefícios plenos
Curso de Yoni Eggs - Boituva
    São muitas informações, e que consigamos receber esse chamado da grande mãe para essa oportunidade de nos curarmos e assim agradecer a toda nossa ancestralidade. E que a cada dia possamos nos conectar mais, e tenho certeza que a conscientização faz uma grande diferença para que possamos ter conhecimentos de nossas sombras para trata-las e nos despedir para uma vida mais plena e empoderada.





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Convite por Andreza Freitas

** Andreza Freitas é Terapeuta, comandante do Templo Polimata Boituva e da cadeira de espiritismo dentro da Ordem Polimata do Brasil, formada em Direito e Letras além de ser mãe de duas meninas e muitos outros filhos de 4 patas.

sábado, 8 de junho de 2019

Kawó-kabiyèsíle!!


Xangô o Orixá da Justiça e do Fogo purificador

Xangô traz a energia da justiça divina través do elemento fogo, aquecendo nossos corações para que vibremos sentimentos justos. Esse orixá capta as vibrações relacionadas com o juízo, quando positivas, ele com o elemento fogo, nos estimula a agir com mais intensidade no lado racional. Já quando as vibrações são negativas, sua companheira Iansã com o elemento ar, esfria o mental do ser enfraquecendo-o e anulando-o na emissão de injustiças ou falsos juízos.
Xangô e Iansã são Orixás que caminham juntos, são conhecidos também como “casal do dendê”, energeticamente eles trabalham como complemento um do outro, ele é o fogo que aquece e ela é o ar que esfria, ele traz uma energia passiva e ela mais ativa.
Quando estamos seguindo na linha do bem e da justiça divina, Xangô emana sua força do fogo, estimulando e nos aquecendo, trazendo equilíbrio e harmonia, porém quando estamos agindo injustamente e contra as leis divinas ele deixa de enviar suas energias, seu calor vai nos deixando e passamos a ser pessoas frias e desequilibradas. Busquemos Xangô com paciência e com o coração aberto, pois ele esclarece e nos equilibra, nos ensina junto as leis divinas.

Xangô também está relacionado a virilidade e a atração, pois com o elemento fogo ele trabalha e energiza nossos chakras básico e sacral, proporcionando mais aterramento, firmeza e virilidade. Ele teve como esposas Iansã a senhora dos ventos e das tempestades, Oxum a senhora da cachoeira e Obá a senhora das águas revoltas e do barro. A junção de Xangô com cada uma delas, traz uma faceta desse grande orixá. Xangô das cachoeiras que assim como o fogo, nos purifica; Xangô da terra que nos ampara quando caímos e aguarda até despertarmos; Xangô dos raios, que traz as leis divinas do alto até a terra. Que a Lei Divina não seja desafiada, pois Xangô colocará muitas pedras no caminho dos que optarem por isso.
Nos contos Africanos, Xangô é representado como Rei, associado diretamente ao poder da realeza. As lendas sempre falam da força implacável de Xangô como guerreiro, conquistador de reinos, bonito, vaidoso e conquistador de mulheres. Por eles Xangô era considerado como o Rei entre todos os Reis.
Fogo – é a essência divina que aquece a vida e vivencia todos os seres. O fogo representa as transformações da natureza, sua criação e destruição. Dentro do seu aspecto destrutivo, o fogo representa a destruição, mas esse estado é passageiro, pois a destruição de algo sempre representa, a abertura de espaço para o novo poder brotar, para um nascimento em uma nova condição. O fogo também traz o sentido de uma transformação íntima, de um desenvolvimento espiritual, transmutando a consciência de estado em estado até se atingir a iluminação. O fogo interior brilha cada vez mais forte e num nível mais sutil conforme nossa ascensão espiritual.
Itan: Xangô é reconhecido como o Orixá da justiça
Xangô e seus homens lutavam com um inimigo implacável.
Os guerreiros de Xangô, capturados pelo inimigo, eram mutilados e torturados até a morte, sem piedade ou compaixão. As atrocidades já não tinham limites.
O inimigo mandava entregar a Xangô seus homens aos pedaços
Xangô estava desesperado e enfurecido.
Xangô subiu no alto de uma pedreira perto do acampamento e dali consultou Orunmilá sobre o que fazer, pedindo-o ajuda.
Xangô estava irado e começou a bater nas pedras com o Oxé, seu machado duplo.
O machado arrancava das pedras faíscas, que acendiam no ar famintas línguas de fogo, que devoravam os soldados inimigos.
A guerra perdida foi se transformando em vitória.
Xangô ganhou a guerra. Os chefes inimigos que haviam ordenado o massacre dos soldados de Xangô foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria.
Mas os soldados inimigos que sobreviveram foram poupados.
A partir daí, o senso de justiça de Xangô foi admirado e cantado por todos.
Através dos séculos, os orixás e os homens têm recorrido a Xangô para resolver todo tipo de pendência, julgar as discordâncias e administrar justiça.

Refletindo sobre a lenda de Xangô, podemos observar que existe o lado positivo e o lado negativo, o amor e o ódio, o bem e o mal, a luz e as trevas e o livro branco e o livro preto. Nesses livros, branco relacionado a ascensão e o preto a queda, são escritos nossas ações, padrões, sentimentos, pensamentos e comportamentos. Tudo o que é anotado no livro branco, também é anotado no livro preto, nada passa despercebido. Todos nós possuímos esses dois lados, a luz e a sombras. Xangô nos deixa claro que a Lei divina é como uma rocha, ninguém caminha com o peso dela nas costas, e lentamente se sentirá aniquilado. Xangô nos ouve, se estivermos sendo justos e verdadeiros ele nos ampara, se não tivermos ele nos esclarece, mas se ainda insistirmos no mesmo erro ele será rigoroso aplicando a lei divina sobre nós.
·         Dia da semana: Quarta-feira
·         Saudação: “Kawó-kabiyèsíle!!” (Venham ver o Rei descer sobre a Terra!!)
·         Instrumento: Oxé (machado de dois lados)
·         Cores: marrom e branco ou vermelho
·         Oferendas: Amalá (comida feita com Quiabos), Velas brancas, vermelhas e marrom; cerveja escura, flores diversas e frutas doces
Kawo Kabiyesile Xangô!
Minhas mais humildes reverências!
Juliane Camargo
Bibliografia
As Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;
Umbanda Sagrada: Religião, Ciência, Magia e Mistérios – Rubens Saraceni - São Paulo: Ed. Madras, 2017;

quarta-feira, 29 de maio de 2019

8 versos que transformam a mente

Geshe Langri Tangpa 

Ensinamento comentado: Oito Versos que Transformam a Mente

Por Tenzin Gyatso , o décimo quarto dalai lama

Vou agora ler e explicar brevemente um dos mais importantes textos sobre a transformação da mente, Lojong Tsigyema (Oito Versos que Transformam a Mente). Este texto foi composto por Geshe Langri Tangpa (1054-1123), um bodisatva bastante incomum. Eu próprio o leio todos os dias, tendo recebido a transmissão do comentário de Kyabje Trijang Rinpoche.

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

Aqui, estamos pedindo: "Possa eu ser capaz de enxergar os seres como uma joia preciosa, já que são o objeto por conta do qual poderei alcançar a onisciência; portanto, possa eu ser capaz de prezá-los e estimá-los."

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

"Com todo respeito considerá-las supremas" significa não as ver como um objeto de pena, o qual olhamos de cima, mas, sim, as ver como um objeto elevado. Tomemos, por exemplo, os insetos: eles são inferiores a nós porque desconhecem as coisas certas a serem adotadas ou descartadas, ao passo que nós conhecemos essas coisas, já que percebemos a natureza destrutiva das emoções negativas. Embora seja essa a situação, podemos também enxergar os fatos de um outro ponto de vista. Apesar de termos consciência da natureza destrutiva das emoções negativas, deixamo-nos ficar sob a influência delas e, nesse sentido, somos inferiores aos insetos.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

Quando nos propomos uma prática desse tipo, a única coisa que constitui obstáculo são as negatividades presentes no nosso fluxo mental; já espíritos e outros que tais não representam obstáculo algum. Assim, não devemos ter uma atitude de preguiça e passividade diante do inimigo interno; antes, devemos ser alertas e ativos, contrapondo-nos as negatividades de imediato.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

Essas linhas enfatizam a transformação dos nossos pensamentos em relação aos seres sencientes que carregam fortes negatividades. De modo geral, é mais difícil termos compaixão por pessoas afligidas pelo sofrimento e coisas assim, quando sua natureza e personalidade são muito perversas. Na verdade, essas pessoas deveriam ser vistas como objeto supremo da nossa compaixão. Nossa atitude, quando nos deparamos com gente assim, deveria ser a de quem encontrou um tesouro.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

Falando de modo geral, sempre que os outros, injustificadamente, fazem algo de errado em relação a nossa pessoa, é lícito retaliar, dentro de uma ética mundana. Porém, o praticante das técnicas da transformação da mente devem sempre oferecer a vitória aos outros.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

Normalmente, esperamos que os seres sencientes a quem muito auxiliamos retribuam a nossa bondade; é essa a nossa expectativa. Ao contrário, porém, deveríamos pensar: "Se essa pessoa me fere em vez de retribuir a minha bondade, possa eu não retaliar mas, sim, refletir sobre a bondade dela e ser capaz de vê-la como um guia especial."

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

O verso diz: "Em suma, possa eu ser capaz de oferecer todas as qualidades boas que possuo a todos os seres sencientes," é essa a prática da generosidade e ainda: "Possa eu ser capaz, em sigilo, de tomar sobre mim todos os males e sofrimentos deles, nesta vida e em vidas futuras." Essas palavras estão ligadas ao processo da inspiração e expiração.
Até aqui, os versos trataram da prática no nível da bodhicitta convencional. As técnicas para cultivo da bodhicitta convencional não devem ser influenciadas por atitudes como: "Se eu fizer a prática do dar e receber, terei melhor saúde, e coisas assim", pois elas denotam a influência de considerações mundanas. Nossa atitude não deve ser: "Se eu fizer uma prática assim, as pessoas vão me respeitar e me considerar um bom praticante." Em suma, nossa prática destas técnicas não deve ser influenciada por nenhuma motivação mundana.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

Essas linhas falam da prática da bodhicitta última. Quando falamos dos antídotos contra as oito atitudes mundanas, existem muitos níveis. O verdadeiro antídoto capaz de suplantar a influência das atitudes mundanas é a compreensão de que os fenômenos são desprovidos de natureza intrínseca. Os fenômenos, todos eles, não possuem existência própria eles são como ilusões. Embora apareçam aos nossos olhos como dotados de existência verdadeira, não possuem nenhuma realidade. "Ao compreender sua natureza relativa, possa eu ficar livre das cadeias do apego."
Deveríamos ler Lojong Tsigyema todos os dias e, assim, incrementarmos nossa prática do ideal do bodisatva.

(Extraído de The Union Of Bliss And Emptiness.)

                                    

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Seu Zé Pelintra Mestre


 Saravá Seu Zé!

            
           O Catimbó é uma religião afro-brasileira, ligada a grupos indígenas que habitavam o Nordeste brasileiro. Nesta religião cultua-se os mestres (entidades espirituais que se apresentam nessa linha) e também é feito o uso da planta de poder Jurema Sagrada.

            O termo Mestre é de origem portuguesa, utilizado para caracterizar alguém de muita sabedoria. Assim como na Umbanda, os mestres que se apresentam no Catimbó, são compostos por espíritos desencarnados que atuam como guias espirituais de pessoas encarnadas. Cada um dos mestres espirituais que se apresentam neste culto, tem sua linha de trabalho ou “ciência” que varia de trabalhos de cura, dinheiro, amor, limpeza física e espiritual e outros encantamentos.

            O contato entre a Umbanda e o Catimbó ocorreu de maneira pacifica devido à grande flexibilidade de ambos os cultos e as linhas de trabalho de ambas religiões foram incorporadas umas nas outras.


            Dentro deste culto e da umbanda, existe a linha de trabalho dos Malandros, onde se apresentam os mestres: Zé Pelintra, Zé Pretinho, Zé Malandro, Maria Navalha e outros. No Catimbó acredita-se que o Mestre Zé Pelintra já está evoluído a ponto de não precisar mais se manifestar nos cultos, quem se manifesta são espíritos pertencentes a sua falange, ou seja, espíritos que buscam o crescimento e a evolução através dos ensinamentos desse grande mestre. Por pertencerem a falange do Seu Zé Pelintra, se apresentam da mesma forma que ele e utilizam o mesmo nome dele.

            Eles afirmam também que alguns mestres trabalham dos dois lados (esquerda e direita), que durante o dia Seu Zé Pelintra é mestre e depois da meia-noite é Exu, isso vem da mistura que existe entre o Catimbó e a Umbanda. “Saravá Seu Zé Pelintra nego do chapéu virado, na direita ele é maneiro e na esquerda ele é pesado...”

            Seu Zé Pelintra como entidade espiritual, recebeu o título de Mestre nos cultos do Catimbó no nordeste, com o crescimento da Umbanda nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo sua figura começou a ser incorporada junto a linha dos Malandros, devido sua alta performance em trabalhos de limpezas espirituais, desmanche de magias e aconselhamentos.

            Quando começou se apresentar na Umbanda, devido sua carisma e forma divertida de ser, acabou por cativar muitos adeptos, porém por esse mesmo motivo, fora julgado mal em algumas casas espirituais. Acabaram por associá-lo a imagem de boêmio, mulherengo outros títulos que não vêm ao caso mencioná-los. Alguns médiuns que trabalham com ele, ainda confundem sua energia e acabam por culpá-lo por desvios de comportamentos e más condutas, alegando que seu jeito boêmio de ser o influenciou a tais decisões ruins em suas vidas.
 

“Seu Zé
Ele é mestre na aruanda
Saravá a sua banda
Vem chegando devagar

Quando ele chega, chega sempre sorridente
Com cigarro entre os dentes
De branco pra amenizar ….”


            Seu Zé Pelintra é um mestre espiritual de luz, seu maior instrumento de trabalho é a alegria, ele costuma se aproximar de pessoas que precisam dessa energia em suas vidas, pessoas com problemas familiares, depressivas, ansiosas, viciadas, menosprezadas pelos padrões impostos pela sociedade, pessoas que precisam enxergar dentro de si como é bom sorrir, como a vida é bela e os problemas mais fáceis de resolver quando somos alegres e gratos ao criador pela nossa existência.

            Ele tem uma força de limpeza energética muito poderosa, pois como trabalha sempre na alegria, é capaz de mudar o padrão vibracional da pessoa a qual se aproxima, transmutando todas as energias densas que ali possam estar. Seu Zé é conversador, gosta de ensinar, de orientar, por essa qualidade, também é ótimo em casos de encaminhamento de espíritos sofredores, com seu jeito vai conversando e fazendo a passagem daquele ser para a luz.

            Nos momentos de dificuldade e nos de alegria também, lembrem-se de chamar por Seu Zé Pelintra e sua fiel companheira Dona Maria Navalha, seja para auxiliar em algum processo, ou para sorrir ao seu lado, experimente a alegria desses grandes mestres!!



Saravá Seu Zé Pelintra!
Saravá Dona Maria Navalha!
Salve a Malandragem!

Minhas mais humildes reverências!
Juliane Camargo
           


Bibliografia:

Dissertação de Mestrado: A mística do catimbó-jurema representada na palavra, no tempo e no espaço - André Luís Nascimento de Souza – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal – 2016.  (https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/22119/1/AndreLuisNascimentoDeSouza_DISSERT.pdf)

Musicas:

           


quarta-feira, 15 de maio de 2019

Oxumaré a serpente arco-íris


Oxumaré a serpente arco-íris
O Orixá Oxumaré é a serpente arco-íris que representa a mobilidade e a atividade, ele é dúbio sendo ao mesmo tempo macho e fêmea, esta dupla natureza se faz clara nas cores vermelha e azul que cercam o arco-íris, essa dualidade representa o ciclo da vida, pois na união entre masculino e feminino é que a vida se perpetua.
Oxumaré é um Orixá masculino, duplo, que pertence à água e à terra. Ele exprime a união de opostos que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito).
Ele é símbolo da continuidade e da permanência e, algumas vezes é representado por uma serpente que enrosca e morde a própria calda, formando assim um círculo fechado.Em algumas culturas dizem que ele tem aparência humana por seis meses e aparência de serpente nos outros seis meses.
No Candomblé acredita-se que Oxumaré sustenta a Terra e a impede de desintegrar, pois o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento, se um dia Oxumaré perder suas forças o mundo acabará. Ele também está muito ligado a prosperidade e a riqueza.

Itan: Oxumaré desenha o arco-íris no céu para estancar a chuva
Conta-se que Oxumaré não tinha simpatia pela chuva.
Toda vez que ela reunia suas nuvens e molhava a terra por muito tempo,
Oxumaré apontava para o céu ameaçadoramente com sua faca de bronze e fazia com que a chuva desaparece, dando lugar ao arco-íris.
Um dia Olodumare contraiu uma moléstia que o cegou.
Chamou Oxumaré, que da cegueira o curou. Olodumare temia, entretanto perder a visão novamente e não permitiu que Oxumaré voltasse à terra para morar.
Para ter Oxumaré por perto, determinou que morasse com ele, e que só de vez em quando viesse à terra em visita, mas só em visita.
Enquanto Oxumaré não vem a terra, todos podem vê-lo no céu com sua faca bronze, sempre se fazendo no arco-íris para estancar a chuva.
Oxumaré é um orixá encantado mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo. Em nós ele trabalha a energia de transformação e renovação, ele proporciona a abundancia (o pote de ouro no final do arco-íris) quando nos transformamos, ele ao mesmo tempo traz para nossa vida a energia de mudança e proporciona a recompensa por essa transformação.

O culto a Dan (serpente)

Na África Oxumaré é originário de Mahi, ex Daomé mesmo local de sua mãe Nanã. As contas azuis, segi para os iorubás, são chamadas de Danni (excremento de serpente). Segundo a tradição essas contas são encontradas sob a terra, onde elas teriam sido evacuadas pelas serpentes, dizem que elas têm um valor equivalente a ouro. Dan é a divindade que traz as riquezas para os homens, por essa razão que Oxumaré também é associado a prosperidade e riquezas.

Ouroboros é um conceito representado pelo símbolo de uma serpente, que morde a própria cauda. Assim, a palavra significa “aquele que devora a própria cauda”. Simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém as ideias de movimento, continuidade, autofecundação e, em consequência, eterno retorno. Ele também é usado como representação da criação do Universo e de tudo aquilo que é tido como eterno e infinito.

Arco-íris e os 7 chakras

Oxumaré está presente em nós nas cores do arco-íris, associados aos nossos chakras e ao nosso equilíbrio. Cada cor do arco-íris está ligada a um chakra, emoção e padrão, segue abaixo uma leve associação:

Violeta – Está associado ao Sahasra chacra coroa ou da cabeça, quando a energia e a cor violeta fluem neste chakra traz consciência e percepção da espiritualidade. Violeta é uma cor fria, aumenta o magnetismo pessoal, possui efeito curativo sobre todas as formas de neurose, estimula contato com lado espiritual, proporciona purificação, libertação dos medos e transmutação.

Índigo (anil) – Está associado ao Ajña, chakra Frontal ou terceiro olho, quando a energia e a cor índigo fluem neste chakra traz concentração, intuição, imaginação, sabedoria, realização espiritual e pessoal. O Índigo é uma cor fria, purifica, limpa, clareia, relaxa e libera a mente e o corpo físico dos medos, fobias, pensamentos destrutivos e sentimentos de inferioridade

Azul claro – Está associado ao Visuddha, chakra da garganta ou laríngeo, quando a energia e a cor azul fluem neste chakra, traz melhor comunicação, conhecimento, criatividade, lealdade, honestidade e integração. Azul claro é uma cor fria, simboliza a água possui propriedades calmantes e tranquilizante e melhora a comunicação.

Verde – Está associado ao Anahata, Chakra cardíaco ou do coração, quando a energia e a cor verde fluem neste chakra traz paixão, compaixão, perdão, amor, empatia, equilíbrio e harmonia. Verde é uma cor fria que remete a natureza e que ajuda a promover o equilíbrio interno, diminui o estresse, proporciona bem-estar físico e mental, liberdade, crescimento e saúde.

Amarelo – Está associado ao Manipura, chakra do plexo solar, quando a energia e a cor amarela fluem neste chakra traz autocontrole, energia, bom humor, poder e estabilidade pessoal e transformações. Amarelo é uma cor quente que remete ao sol, melhora o humor, o otimismo, auxilia na prosperidade e riquezas.
Laranja – Está associada ao Svadhisthana, o chakra esplênico ou umbilical, quando a energia e a cor laranja fluem neste chakra traz tolerância, movimentação, desejo, emoção e prazer. Laranja é uma cor quente ligada a alegria, vitalidade, sucesso, criatividade e assimilação de novas ideias.

Vermelho – Está associada ao Muladhara, o Chakra Básico, quando a energia e cor vermelho fluem neste chakra traz estabilidade, segurança e paciência. Vermelho é uma cor quente ligada a terra, aumenta a energia e vitalidade, eleva a autoestima e está associada a paixão e a sexualidade.

Precisamos diariamente de todas as cores do arco-íris para nos mantermos em equilíbrio e plenos na nossa caminhada, precisamos de Oxumaré em nossas vidas, movimentando as energias e nos transformando em pessoas melhores.

·         Dia da semana: Terça-feira
·         Saudação: Arroboboi Oxumaré (“Salve o Senhor do Arco-íris” ou “Salve o Senhor dos Ciclos”.)
·         Instrumento: Ebiri (espécie de vassoura feita com nervuras das folhas de palmeira) e serpente de ferro forjado
·         Cores: Amarelo e preto, 7 cores do arco-íris
·         Oferendas: Batata doce, Melão, uva verde com mel, bananas, mamão e manga ,girassol, Rosas amarelas, Hibisco e flores amarelas.


Minhas mais humildes reverencias!
Arroboboi Oxumaré!
Juliane Camargo
Bibliografia:
As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;