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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Templo Polimata Boituva tem o prazer em anunciar a volta dos estudos abertos!

Vista de fora do salão do TP-Boituva

 . 
     Depois de um ano um tanto atípico para todos nós, um ano de recolhimento, um ano de superação, um ano de análises, um ano de morte e renascimento, onde muitos de nós tivemos que nos despedir de parentes e amigos que partiram para um novo nascimento, tivemos que aprender a viver com menos, rever nossos planos para pensar como que de duas em duas semanas, os quatorze dias de isolamento, vivemos tempos de mudanças em uma escala global.
detalhe: salão TP-Boituva
  Aqui no Templo sentimos de perto os efeitos de um ano não só atípico em função da pandemia mas também do clima, a falta de chuvas e a irregularidade da mesma fez-se notar nos detalhes, mas que para o observador os sinais da natureza foram claros, a escassez de água no poço, a quase extinção do lago e o crescimento da faixa de areia no riacho fez-se evidente a todos que partilharam deste quadro, é bem verdade que o ano não acabou, o ciclo termina na próxima mudança de estação em março e ainda “vivemos em 2020” mas a mudança também já é evidente. 
detalhe: Pôr-do-sol vista do TP-Boituva
    A esperança e a certeza no sol que raia depois da tempestade é endossado pelos sinais da Natureza, a volta da regularidade da chuva, aqui para nós, no microcosmos, é um dos sinais, em um aspecto mais amplo e mais subjetivo, a proximidade da família, a volta dos nossos corações e mentes para as coisas mais simples e importantes é um desses aspectos, digo isso em um aspecto global, bem verdade que visto através dos olhos deste interlocutor, mas de uma maneira geral vejo as pessoas se voltando a aspectos mais transcendentais da existência, vejo as pessoas reavaliando a importância da presença dos familiares, vi durante a parte mais restritiva do isolamento a atenção daqueles com um pouco de condições para aqueles em situação de risco, as famosas marmitas, as doações, o risco de por a cara na rua para prestar solidariedade ao próximo, o aspecto mais sublime da humanidade, a compaixão e a caridade, o ato de dar sem esperar receber, prestar um serviço ao próximo é prestar um serviço a Deus.    
auṃ gaṃ gaṇapataye namaḥ
auṃ śrīṃ mahālakṣmyai namaḥ
  Por esses casos e acasos da vida a volta aos estudos abertos (23/01/2021) do Templo Polimata de Boituva será na cadeira dos estudos de Hinduísmo, reverenciando a Laksimi e Ganesha, rituais que tradicionalmente abrem e fecham um “ano letivo”, esse ano com um sentimento especial que exprime essa ânsia, esse desejo e esse agradecimento pelos futuros louros que colheremos de nossos atos baseados nos sentimentos sublimes. Laksmi, que a senhora da prosperidade, da abundância, da manifestação, do feminino, essa Mãe Divina que roga e mantem toda a existência possa, através de nossos méritos, nos abençoar com sua riqueza, e que o senhor Ganapati, aquele que é sagaz, perspicaz, estratégico, senhor dos exércitos, um poderoso guerreiro que nos protege e abre nossos caminhos, através das suas poderosas armas, o amor, o conhecimento, a sabedoria, a humildade o destemor, possamos nós sermos merecedores de um pouco de sua atenção, que sua luz divina possa nos abrigar nesse ano e multiplicar todos nossos méritos e recompensas. 
         Mais uma vez, com alegria, damos início a mais um ano letivo de estudos a respeito de como transcender as misérias da condição humana, de como valorizar e criar dentro de nós as qualidades mais divinais possíveis, aprofundar-se no autoconhecimento para estarmos mais completos para nós mesmos e consequentemente para o nosso entorno, treinar nosso interior em compaixão, em amor, em caridade, em sabedoria, convidamos a todos para mais um ano de descobertas e redescobertas.
Terreirão TP-Boituva (área aberta para estudos)






terça-feira, 3 de dezembro de 2019

3º Feitio de Ayahuasca Polimata

Parte 1...

Vista do atual Templo Polimata Cruzeiro do Sul - Acre

   Ayahuasca, Cipó, Uni, Yagé, Mariri, Caapi, Nixi Pae, Timbu, muitos são os nomes para se referir a bebida sagrada usada há muitos milênios pelos povos originários oriundos da América do Sul e uma pequena parte da América Central, hoje em dia famoso no mundo inteiro dada as suas propriedades singulares.
   O uso habitual da Ayahuasca migrou, nos últimos séculos, do uso fechado nas aldeias, que ainda
detinham esse conhecimento, para os grandes centros urbanos, não só nos países que compõe a
Panela no fogo!
3º Feitio do Templo Polimata
floresta amazônica (detentora e guardiã desta medicina) mas para o mundo inteiro. Mesmo dentro das aldeias seu uso foi ressignificado ao longo dos milênios, antes um culto fechado apenas aos iniciados homens e em raras oportunidades ao longo da vida, hoje aberto a toda comunidade independente de sexo ou idade e em oportunidades recorrentes. A troca de conhecimento entre brancos e nativos gerou a adaptação da nova realidade da bebida para ambos os povos, vindo a ser um catalisador para acelerar a compreensão a cerca do ser e a cerca do viver de forma mais acelerada adaptada as necessidades atuais de evolução em larga escala, graças a essa troca o conhecimento a respeito da bebida foi preservado e retransmitido a comunidades nativas que também haviam perdido a prática do uso ritual, sendo lembrado vagamente por anciãos das comunidade, é bem verdade que essa "nova
Vista do Igarapé Memésio
Templo Polimata Cruzeiro do Sul Acre
realidade" também trouxe seus reflexos, a exploração capitalista, a falta de treinamento adequado para as pessoas compreenderem o real benefício do chá, a falta de profundidade nos ensinamentos e vivencias no efeito da bebida e mesmo o deslumbramento de alguns indivíduos nativos com o "mundo ocidental" e agindo não como um transmissor de sua cultura e ancestralidade mas assumindo valores vagos da sociedade hedonista em que vivemos.
   Para combater a "ignorância" é importante o estudo e a vivência, no mundo da ayahuasca isso não é diferente. É importante ao iniciado no mistério do chá compreender sua origem para colaborar com o uso consciente e retransmitir valores mais profundos a respeito da bebida, do uso sustentável e da importância da conservação dos biomas nativos das plantas que compõe a receita desta medicina, de muitas formas podemos nos aprofundar nos mistérios do chá e uma oportunidade que temos é participar de um feitio de ayahuasca, participar in loco como a bebida é feita, o trabalho duro e prolongado que é cozinhar essa medicina sagrada. 
   Desde a coleta do Jagube, o Rei conhecedor dos mistérios, o cipó que detém as chaves para
Raspagem da casca do Jagube
podermos viajar dentre as dimensões que a bebida nos proporciona, é uma planta originária da floresta amazônica podendo ser encontrado facilmente em áreas de floresta fechada, hoje em dia a exploração de seu uso levou a uma caçada ao cipó levando a dificuldade de encontra-lo em áreas de floresta muito próximos a centros urbanos, já a muitos anos as religiões sérias que trabalham com chá promovem o replantio e conservação das espécies de Jagube, incluo aqui a Ordem Polimata que também promove o plantio e conscientização a respeito da importância deste ato. Paralelo ao cipó temos a Rainha da Floresta, as folhas de
Folhas de Chacrona prontas
para serem lavadas
chacrona aquelas que contêm a luz do conhecimento a ser destravado com as chaves do Jagube que devém ser colhidas de forma apropriada de preferencia só com as melhores folhas, atualmente muitos detêm "reinados" plantios em pequena e média escala dessa planta em forma de arbusto muito próxima do café que conhecemos bem.

Acarya MAha Surya Pandit Swami,
Mestre Nuno rezando no primeiro fogo
do feitio.
 Só a colheita é uma parte trabalhosa mas pequena ainda perto de todo o trabalho, a preparação do feitio começa meses antes com a fornalha, lenha seca, panelas, recipientes e todos os pormenores em relação a logística, principalmente para cozinhar na floresta, em áreas de difícil acesso e sem infraestruturas luxuosas como as do sudeste, exige bastante trabalho físico, mental e um certo investimento financeiro, enfim cozinhar, preparar o jagube, preparar a chacrona, cozinhar, trocar panela, e trabalho, as vezes por mais de um mês seguido, é um trabalho cansativo, mas recompensador para aquele que quer estar mais próximo da sabedoria da bebida, ao longo do processo de transformação dos
Salve a medicina da floresta !
materiais, água, jagube e rainha, os individuos participantes também se transformam e isso é a magica que essa bebida promove, a mudança no ser, trazendo ele de volta ao Sagrado ao contato com a natureza e em contato com o seu ser mais intimo.
   Convido a todos a terem essa experiencia e contribuírem para o estudo, conscientização e conservação dos saberes puros a respeito da Ayahuasca, convido também a frequentarem os Templos Polimatas para provarem desta alquimia natural preparada em terreno Polimata com esforço próprio e comprometido com os resultados dessa magia tradicional.




segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Por quê meditar?

Evidências Científicas

  Atualmente no ocidente temos a tendência de validar algum conceito filosófico através do pragmatismo cientifico no qual estamos mergulhados, com a meditação também temos muitas validações atuais dos seus benefícios em diferentes aspectos da nossa existência, vejamos alguns exemplos:

Fisicamente:
1 – Melhora o sistema imunológico (ver aqui e aqui)
2 – Reduz as dores ( ver aqui)
3 – Reduz a inflamação a nível celular (Veja aqui e aqui)
A nível emocional:
4 – Aumenta as emoções positivas ( aqui e aqui)
5 – Diminuí a depressão ( ver aqui)
6 – Diminuí a ansiedade (ver aqui e aqui)
7 – Diminuí o stress (ver aqui e aqui)
Pode melhorar sua vida social:
Podemos pensar que meditação é uma atividade solitária, porém grupos de meditação, principalmente para os iniciantes, são uma ótima pedida, pois a sensação de união e conexão é maior.
8 – Aumenta la conexão a nível social e a inteligencia emocional (ver aqui e aqui)
9 – Te faz mais compassivo (ver aqui e aqui)
Aumenta o auto-controle:
10 – Melhora a capacidade para controlar as emoções (ver aqui)
11 – Melhora a capacidade de introspecção (ver aqui e aqui)
Melhora a função cerebral:
12 – Aumenta a quantidade de matéria cinzenta (ver aqui)
13 – Aumenta o volume de matéria cinzenta em áreas relacionadas com a regulação das emoções e do autocontrole (ver aqui e aqui)

Melhora a pordutividade:
14 – Aumenta a atenção (ver aqui e aqui e aqui e aqui)
15 – Melhora a capacidade de realizar múltiplas tarefas (ver aqui e aqui)
16 – Melhora a memória (ver aqui)

Como Meditar

mesmo nas tradições cristãs a meditação ou contemplação
sempre esteve presente.
   A Prática da meditação é ensinada e estimulada a milênios na história humana, diferentes tradições religiosas e filosóficas deram significativo acréscimo a esse conceito. Grandes mestres meditadores são, até hoje em dia, e possivelmente por um futuro longínquo, dignos de reverências e estudos, tanto na história ocidental quanto oriental.
   Existem muitas práticas diferentes de meditação, temos por base acreditar que meditar é simplesmente sentar em lótus e ficar com a mente em branco, porém vemos que a história não é bem essa, diferentes formas de meditação podem envolver atividades físicas mais extenuantes que uma corrida, ou práticas que envolvem muito barulho e movimentos rápidos, mas no geral ela tende a um objetivo, a plenitude da mente, a paz interior, aprender um pouco mais sobre o autoconhecimento.
   Em suma, o que devemos fazer para uma prática simples de meditação é sentar-se confortavelmente (porque não deitado? pelo simples fato de não dormir, ao deitar nosso corpo já está mais acostumado a entrar em um processo de sono), não necessariamente precisa ser em alguma posição de yoga mas de uma maneira confortável, no começo a prática tende a ser curta, por isso não se importe em ficar horas a fio, de 5 a 15 minutos diários já conseguimos sentir os efeitos.
   Diferentemente do estado "em branco" da mente devemos manter uma atenção focada a todo momento, compreender que virão as inquietações da mente e do corpo e simplesmente observarmos, quando vem um pensamento deixamos que ele simplesmente se vá, não racionalizar cada pensamento que vem, apenas deixar passar, e assim permanecer, sentir cada sensação, escutar cada som ao seu redor, estar plenamente presente sem qualquer busca, apenas presente no momento.
  No budismo se ensina que o pleno estado de paz e alegria é quando paramos de correr atrás da satisfação ou da sessação de momentos felizes ou tristes, ou seja, é o momento em que não buscamos nossa felicidade nem buscamos evitar a nossa tristeza, mas simplesmente observamos o ir e vir dessas energias, como as ondas do mar. Somos como um homem parado durante décadas à beira do mar, abraçando certas ondas “boas” e tentando impedir que elas quebrem e simultaneamente repelindo as ondas “más” para evitar que se aproximem. Dia sim, dia não, o homem está na praia, indo à loucura com esse exercício inútil. Ele acaba por se sentar na areia e apenas permite que cada onda venha e se vá a seu bel-prazer. Que paz!


Conclusão  

   A própria etimologia da palavra nos remete ao seu sentido mais puro, o termo páli para o conceito de meditação é dhyana que traz um sentido de cultivar, da palavra MEDITAR podemos extrair um anagrama como ME EDITAR, ou seja a prática, de preferência diária, pode nos transformar, nos re-editar, apagar antigos conceitos, vícios, venenos e crenças limitantes, ou seja nossas ervas daninhas, e cultivar no local boas sementes, de consciência, paz, virtude, compaixão.
  Para cultivarmos uma vida saudável seja a nível físico, emocional ou mental (e consequentemente espiritual) é fundamental a prática diária da meditação, só assim poderemos, de fato, saber o que é auto conhecimento, saber o que de fato são nossos pensamentos e sentimentos e assim poder transcender o estado de "trevas" em que vivemos na matéria, a meditação pode ser intensificada com o uso de mantras e mudras(que serão discutidos em breve!).

Boa Meditação a todos !
Namastê! 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

8 versos que transformam a mente

Geshe Langri Tangpa 

Ensinamento comentado: Oito Versos que Transformam a Mente

Por Tenzin Gyatso , o décimo quarto dalai lama

Vou agora ler e explicar brevemente um dos mais importantes textos sobre a transformação da mente, Lojong Tsigyema (Oito Versos que Transformam a Mente). Este texto foi composto por Geshe Langri Tangpa (1054-1123), um bodisatva bastante incomum. Eu próprio o leio todos os dias, tendo recebido a transmissão do comentário de Kyabje Trijang Rinpoche.

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

Aqui, estamos pedindo: "Possa eu ser capaz de enxergar os seres como uma joia preciosa, já que são o objeto por conta do qual poderei alcançar a onisciência; portanto, possa eu ser capaz de prezá-los e estimá-los."

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

"Com todo respeito considerá-las supremas" significa não as ver como um objeto de pena, o qual olhamos de cima, mas, sim, as ver como um objeto elevado. Tomemos, por exemplo, os insetos: eles são inferiores a nós porque desconhecem as coisas certas a serem adotadas ou descartadas, ao passo que nós conhecemos essas coisas, já que percebemos a natureza destrutiva das emoções negativas. Embora seja essa a situação, podemos também enxergar os fatos de um outro ponto de vista. Apesar de termos consciência da natureza destrutiva das emoções negativas, deixamo-nos ficar sob a influência delas e, nesse sentido, somos inferiores aos insetos.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

Quando nos propomos uma prática desse tipo, a única coisa que constitui obstáculo são as negatividades presentes no nosso fluxo mental; já espíritos e outros que tais não representam obstáculo algum. Assim, não devemos ter uma atitude de preguiça e passividade diante do inimigo interno; antes, devemos ser alertas e ativos, contrapondo-nos as negatividades de imediato.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

Essas linhas enfatizam a transformação dos nossos pensamentos em relação aos seres sencientes que carregam fortes negatividades. De modo geral, é mais difícil termos compaixão por pessoas afligidas pelo sofrimento e coisas assim, quando sua natureza e personalidade são muito perversas. Na verdade, essas pessoas deveriam ser vistas como objeto supremo da nossa compaixão. Nossa atitude, quando nos deparamos com gente assim, deveria ser a de quem encontrou um tesouro.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

Falando de modo geral, sempre que os outros, injustificadamente, fazem algo de errado em relação a nossa pessoa, é lícito retaliar, dentro de uma ética mundana. Porém, o praticante das técnicas da transformação da mente devem sempre oferecer a vitória aos outros.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

Normalmente, esperamos que os seres sencientes a quem muito auxiliamos retribuam a nossa bondade; é essa a nossa expectativa. Ao contrário, porém, deveríamos pensar: "Se essa pessoa me fere em vez de retribuir a minha bondade, possa eu não retaliar mas, sim, refletir sobre a bondade dela e ser capaz de vê-la como um guia especial."

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

O verso diz: "Em suma, possa eu ser capaz de oferecer todas as qualidades boas que possuo a todos os seres sencientes," é essa a prática da generosidade e ainda: "Possa eu ser capaz, em sigilo, de tomar sobre mim todos os males e sofrimentos deles, nesta vida e em vidas futuras." Essas palavras estão ligadas ao processo da inspiração e expiração.
Até aqui, os versos trataram da prática no nível da bodhicitta convencional. As técnicas para cultivo da bodhicitta convencional não devem ser influenciadas por atitudes como: "Se eu fizer a prática do dar e receber, terei melhor saúde, e coisas assim", pois elas denotam a influência de considerações mundanas. Nossa atitude não deve ser: "Se eu fizer uma prática assim, as pessoas vão me respeitar e me considerar um bom praticante." Em suma, nossa prática destas técnicas não deve ser influenciada por nenhuma motivação mundana.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

Essas linhas falam da prática da bodhicitta última. Quando falamos dos antídotos contra as oito atitudes mundanas, existem muitos níveis. O verdadeiro antídoto capaz de suplantar a influência das atitudes mundanas é a compreensão de que os fenômenos são desprovidos de natureza intrínseca. Os fenômenos, todos eles, não possuem existência própria eles são como ilusões. Embora apareçam aos nossos olhos como dotados de existência verdadeira, não possuem nenhuma realidade. "Ao compreender sua natureza relativa, possa eu ficar livre das cadeias do apego."
Deveríamos ler Lojong Tsigyema todos os dias e, assim, incrementarmos nossa prática do ideal do bodisatva.

(Extraído de The Union Of Bliss And Emptiness.)

                                    

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Reflexões de Sabedoria 3

Faça o que estiver fazendo da melhor maneira possível.


A busca da impecabilidade, sempre me lembra um satori de reflexão. Se você estivesse amarrando o cadarço de seu sapato na rua e verifica-se que um enorme piano de calda estivesse caindo sobre a sua cabeça, não havendo nenhuma escapatória, o que você faria?
Amarraria por perfeição e impecabilidade o sapato com seu último ato de consciência perante a Morte, ou simplesmente se desesperaria perante a inevitável mortal contradança cósmica que ela é sua parceira?

Me lembro do Mestre Don Juan de La Montanha, que tive o enorme prazer de conhecer.
Estávamos conversando, no final de uma tarde, a exatos 3 dias antes de sua passagem para o outro plano, nos últimos momentos em que terminaria a grande batalha da vida e esperava a Morte, sorrindo, para sua última e teatral dança cósmica e me diz:
“Estoy preparado, llegó el momento de bailar con la muerte, pero antes hijo, tengo un hermoso suelo que he pensado y juntos haremos una hermosa danza cosmica, quiero que veas.”
Enfrente seu destino, sua trajetória de vida, enfrentando o que se apresenta em sua jornada, em sua missão, quando assim a encontrá-la.
Dar o melhor de nós a cada instante, é o mínimo que se espera de um realizador genuíno dentro dos 3 campos de ação (material, emocional e espiritual).
Realizando a prova viva de nossa capacidade, sempre dando o máximo em nossa realização.
A impecabilidade é um perfil importante na vida, muitos iluminados caminharam sobre esta diretriz em sua jornada espiritual de ascensão de consciência, somado ao amor na plataforma de bhakti, a ação devocionalmente que nos conduz em alegria e harmonia para que possamos mais uma vez termos a oportunidade de nos conhecermos, e assim nos aproximarmos das diversas Personalidades de Deus que se manifestam no coração de cada caminhante deste mundo.
Hoje tenho passado por um caminho de realização deste princípio, me encontro atualmente no meio da floresta amazônica, próximo à fronteira do Brasil com o Peru, estado do Acre, criando algo novo do início, estamos construindo casas, ruas, infraestrutura, agricultura... O que levará anos para a conclusão do Projeto Nawa, debaixo de chuvas intensas ou sol, insetos…. Porém cada estrutura está sendo feita com os devidos departamentos de engenharia, arquitetura, paisagismo, autossuficiência, botânica....
Com carinho, dedicação, realização, amor e consciência do que estamos construindo, para a Ordem Polimata à Humanidade e por cada um de nós, tudo envolto a impecabilidade. Fazendo da melhor maneira possível, dentro do tempo e circunstâncias que se apresentam.
Quando caminhamos com esta premissa, nos transportamos para outra plataforma de conhecimento e realização, afinal para que você alcance impecabilidade será necessário um aprofundamento de conhecimentos e aplicação pratica em seu processo.
Em outras palavras estudar, meditar e aplicar, como a máxima alquímica.

Ore, Lege, Lege, Relege, Labore et Inseriere

Reze, Leia, Leia, Releia, Trabalhe e Incorpore, no caso o conhecimento que tem foco buscador da impecabilidade colocando em pratica em sua vida, no dia-a-dia para a sua realização, superação dentro dos 3 campos de ação. O foco inicial é VOCÊ.

Brasil, Acre, 20/10/2018
Minhas mais humildes reverências a Mestre Don Juan de La Montanha
Atenciosamente, deste simples servo do caminho.
Mahasurya Swami

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Reflexões de Sabedoria 2

Termine sempre o que começar.

Para que possamos ter a oportunidade de sermos realizadores e vitoriosos na vida, devemos levar este pensamento muito a sério. Nosso campo de ação ocorre em 3 níveis basicamente, dentro da matéria o mundo dos fenômenos, através das emoções e sentimentos vivenciados em nosso mundo mental e o mundo espiritual que transcende nossa limitada consciência dentro dos mundos material e mental.
Seja você um buscador da matéria ou espiritual, a base para que possamos avançar é a mesma: dedicação, impecabilidade e persistência para que possamos enviar a nós mesmos e aos outros que nos cercam materialmente ou espiritualmente, que somos a pessoa certa para o desafio que se apresentar.
Eu lhes pergunto, em quem confiariam a incumbência de uma grande responsabilidade como um cargo de direção ou mesmo presidência de uma grande empresa ou mesmo a missão importante para a humanidade? Em uma pessoa que se manifesta em ação como um realizador ou seria melhor o “amigo” com desculpas já organizadas?

Missão dada, missão comprida.

Quando concluímos o que iniciamos demonstramos e sinalizamos a Todos e ao Universo esta capacidade energética de finalizar a nossas iniciativas como guerreiros mediante uma missão. Acredite em sua capacidade, como os cristãos dizem, “Cada um recebe a cruz que pode carregar”.
Se você acreditar em você e conhecer a si mesmo, com isso serás capaz de realizar qualquer missão que se propor.

Reflita: Se você não acreditar em si, porque outro acreditaria?

Cada missão nos abre um universo novo de conhecimento que será somado em sua Magnus Opus, manifestando uma solução alquímica toda Sua, realizadora, transmutando você, em um novo Ser, mais profissional, mais responsável, mais consciente, mais iluminado.
Porém devo alertar a todos, dedique-se com alegria e amor, pois esta energia transcende a nossa realização, sendo assim transmitida a todos que se envolvem no processo, conduzindo nossa prosperidade e riqueza de propósito, com isso tudo flui naturalmente.

Cada pedra no caminho é um degrau para nossa ascensão ou uma parede, você que decide através de sua conduta para com a pedra.

 Quando tomamos consciência que a jornada se realiza no dia-a-dia, que somos os causadores de nossos próprios infortúnios através de nossas ações, palavras e conduta, consciente como no texto anterior, você tem uma chance de transformar cada problema em uma oportunidade de avanço nos três campos de ação.

Fazer o certo, normalmente é o mais difícil a ser realizado.

Caminhamos pelo caminho fácil, sem dor ou mesmo profundidade, com isso buscamos uma via segura. No Brasil existe uma expressão que fala sobre a Lei de Gerson, isto é buscar o caminho mais fácil para atingir o que se deseja, buscar vantagem por influência, corrupção e assim vai. Literalmente é mais fácil seguir o Mal e a Hipocrisia, do que a Verdade, União, Amor e Alegria.
Caminhamos Karmicamente, porém desejando os frutos do Dharma. ACORDE deste sonho!
Todo ser humano de sucesso, concluiu a sua obra, social, material, emocional ou espiritual, assim revelando o seu poder que pode em alguns casos se resumirem em persistência, devoção, compromisso, amor, firmeza de caráter, humildade, determinação, harmonia, força, gentileza.... Encontre o seu caminho e a sua missão que seja material, social, mental ou com alegria e amor espiritual, mas faça AGORA, pois HOJE é o dia certo J
Termine a sua Grande obra que é VOCÊ, caminhando com verdade, seriedade e o coração, assim, será um bom caminho.
CONCLUA  ....   FINALIZE


Atenciosamente, deste simples servo do caminho.
Mahasurya Swami

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Animal de Poder - Beija-Flor

Força do Beija-Flor

  Beija-flor, conhecido por muitos nomes como, Colibri, PicaFlor, Hummingbird, Cuitelo, Pindo, etc. é um dos animais símbolo do continente americano, sua presença está documentada desde o norte no Alasca até o extremo sul na Terra do Fogo. Muitas culturas (se não todas!) ao longo deste território se encantaram pela pequena ave de movimentos rápidos, cores brilhantes e uma capacidade de voar muito diferente de qualquer outro pássaro.
  Devido ao seu aspecto único ela tocou de cheio o imaginário e o espiritual dessas nações gerando inúmeros contos e lendas para tentar traduzir ao consciente o que a presença de uma pequena ave desta trás a alma de cada indivíduo. Seus significados variam como mensageiro divino por excelência, talvez por voarem em todas as direções inclusive ficar parado no ar, simbolizem a capacidade de deslocamento entre os planos, dos mais elevados aos mais baixos e estacionar onde for necessário. Xamãs, Pajés , Curadores, Medicine Men, e toda a gama de curandeiros do continente evocam o espirito do beija-flor em suas curas, canções e danças.
  Também a simbologia do amor, rogando ao fato primordial da polinização o ato de fecundar algumas espécies de flores, podendo ser evocado o fato desta espécie ter ficado conhecida como beija-flor em algumas partes. Uma lenda do povo Taino de Porto Rico diz que antigamente existia um casal muito apaixonado, porém os jovens, cada um pertencente a uma tribo rival, não podiam ficar juntos devido a pressão da família, amigos e costumes da época, para fugir do problema rogaram ao grande espirito para que os ajudasse, transformando assim um em um beija-flor e outra em uma linda flor vermelha e assim ambos puderam resplandecer seu amor trazendo abundância e beleza para toda a floresta.
 Nota nota curiosa a respeito desse pássaro é que ele só voa de dia, nas noites frias ele chega quase a parar seus batimentos num estado de quase coma, porém quando o sol aparece ele "renasce" sendo assim, também, um símbolo do renascimento do ser, principalmente para os povos Andinos. Para algumas nações amazônicas a presença do beija-flor é a própria presença de Deus.

Poderes Associados ao Beija-Flor

Cura
Amor
Presença Divina
Agilidade
Alegria
Renascimento
Beleza
Delicadeza


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Convidamos a todos a se aprofundarem no estudo do beija-flor junto a fogueira e a sagrada medicina da ayahuasca.


domingo, 14 de outubro de 2018

Reflexões de Sabedoria 1

 “Fixe a atenção em si mesmo, seja consciente em cada instante do que pensa, sente, deseja e faz.”

Perdemos muito tempo observando os outros, suas ações e resultados. Perdendo assim o foco no que realmente importa, que somos nós próprios, ao nos afastarmos de nosso Ser, buscando observar outros e nos piores casos de forma obcecada ser o outro ou mesmo ter o que o outro conquistou, perdemos a oportunidade de alcançarmos através de nosso próprio merecimento e força, pois encontramo-nos a reagir a ação do próximo, deixamos de ser observadores e arquitetos que nossa vida e mundo, e ficamos presos por este carcereiro, já que você se permitiu fixar a sua atenção ao outro e não à si próprio. Liberte-se, escolha VOCÊ e deixe de ser seu próprio inimigo, o poder que seu inimigo possui é você que determina e concede devido ao apego a velhos hábitos e pensamentos destrutivos, quando manifestamos estes pensamentos ficamos também presos na destruição que desejamos.
Ao sermos conscientes de nos próprios, fixamos naturalmente a atenção em nós mesmos, assim podemos voltar para o campo da ação e não da reação. Neste Dharmaksetre que é a batalha e campo de peregrinação de vida pelo caminho do Dharma, das boas ações e iluminação, para que possamos ter alguma chance de iluminação devemos ter consciência desta batalha que se manifesta no pensamento, nas emoções, nos desejos e ações. No talmud diz:

“Preste atenção em teus pensamentos,
pois eles se tornarão palavras.
Preste atenção em tuas palavras,
pois elas se tornarão em atos.
Preste atenção em teus atos,
  pois eles se tornarão em hábitos.
Preste atenção em seus hábitos,
pois eles se tornarão teu caráter.
Preste atenção em teu caráter,
pois ele é teu destino.”

Mediante a forma que cada um de nós pensamos geramos as emoções e substancias bioquímicas em
sintonia, gerando paz, harmonia, raiva, ódio... O ser humano responde emocionalmente a estímulos bioquímicos assim se alimentando das próprias emoções.
Como existem pessoas que se alimentam de amor, harmonia, outros buscam o ódio, raiva, inveja. Cada um recebe o que deseja, assim será no final desta peregrinação.
A busca dhârmica de bons pensamentos e ações e parte essência da jornada espiritual do verdadeiro caminhante, aprender a lidar com a emoções conflitantes entre o que sentimos e o que pensamos e a mais importante batalha que Budha se refere, pois os pensamentos e emoções nutrem os desejos.
Budha diz que este e um mundo essencialmente de desejos, assim que realizamos um, criamos outro, num círculo aparentemente interminável, até que você assim limite os bons pensamentos, ações assim manifestando desejos mais plenos de evolução para si e os outros, um bom satori que uso é:

“Eu desejo receber em dobro o que lhe desejo”

Sejas o caminho de iluminação que desejas e contribua com o próximo sobre o mesmo prisma.
Em busca desta consciência que transcende o que acreditados, afinal, nem tudo o que acreditamos é verdade, podemos fazer o “certo”, a ação dharmica, termos a ação mais plena e equilibrada entre nosso próprio extremismo, isso é realmente evolução, estarmos consciente de nossos pensamentos, sentimentos e desejos, reflete nossa ação e aprendendo o que e como somos realmente, a mais pura verdade sobre nós carece de observação e aceitação.     
Agir dharmicamente se refere simplesmente a agir em pró da evolução espiritual de você enquanto alma espiritual inicialmente, tudo o que lhe ajuda a se aproximar mais da verdade em relação a você, Deus e ao Todo, é uma boa jornada dhârmica. Tudo que lhe afasta de você ter consciência si próprio, Deus e do Todo, se manifesta karmicamente, pois lhe afasta da verdade.
A busca de auto-definição não é um bom caminho, mas aqueles que buscam uma definição de seu próprio personagem nesta encarnação deve observar seus pensamentos, sentimentos, desejos e ações, assim a verdade se revelará. Se não gostar do que estas observando, simplesmente mude tomando um novo caminho em sua vida.

“Fixe a atenção em si mesmo, seja consciente em cada instante do que pensa, sente, deseja e faz.”

Este é um dos passos em uma jornada em busca de realização nos 3 planos (Material, Emocional e Espiritual) para que você alcance a sua verdade junto a uma consciência transcendental.



Minhas mais humildes reverências ao Mestre Georgiǐ Ivanovič Gǐurdžiev (Gurdjieff)
Atenciosamente, deste simples servo do caminho.
Mahasurya Swami

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O jogo dos 7 erros.

Tábua dos pecados capitais por Hieronymus Bosch 
  Em todas as estruturas sociais, sejam elas religiosas, místicas, cível, conjugal etc existem regras, explícitas ou não, um sistema que estimula algumas virtudes em detrimento a alguns vícios. Esse conjunto de diretrizes foram elaboradas, em muitos casos, baseados em conhecimento atemporal e imutável, louvando as atitudes e pensamentos positivos comumente aceito, como, caridade, compaixão, união, etc,  e dando a alcunha de pecado (na tradição ocidental) a atitudes como preguiça, raiva, mesquinhez, etc , atitudes essa que causam uma perturbação nas pessoas e no ambiente ao redor de maneira negativa, em muitos casos gerando dor e ou sofrimento para o praticante da ação ou o alvo dos atos.
São Tomás de Aquino
   Aqui neste blog ja tratamos dos quatro "inimigos" do homem de conhecimento (parte 1; parte 2) que são "vícios" , "pecados", ou "condições" no caminho daqueles que buscam a sabedoria, a elevação da alma, o despertar da consciência, do ponto de vista do universo dos livros de Carlos Castañeda baseado em conhecimentos xamânicos tradicionais de tempos ancestrais. Hoje falaremos um pouco sobre os sete pecados capitais, segundo o cristianismo. Essa lista foi elaborada com base em estudos anteriores a própria religião, se valendo de senso comum, observação, textos filosóficos, sem sua maioria gregos, e em tradições e conhecimentos judaicos (origem do cristianismo), são ditos capitais, pois são pecados raízes, aqueles que dão vazão para que outros aconteçam, é o estado de espirito em que a pessoa se encontra que a leva a outros erros mais concretos de fato (por exemplo, por ira matar, por inveja mentir, etc) uma forma de resumir e identificar estados que levam uma pessoa a não alcançar o "reino dos céus", no caso, capital vem da origem latina caput que significa cabeça, líder ou chefe.
   Sua lista definitiva, próxima do que conhecemos hoje, se deu no ano de  1273 com a suma teológica de São Tomás de Aquino, que revisou postulados anteriores como o estabelecido em 590 pelo papa Gregório I, que por sua vez se baseou em uma lista do século 4 de um monge grego, a lista do monge Evagrius Ponticus continham oito atitudes graves que o cristão poderia cometer: gula, fornicação, avareza, descrença, ira, desencorajamento, vanglória e soberba.
   Porém aquele que popularizou essa lista de maneira quase universal foi Dante Alighieri com sua divina comédia onde propunha, também, uma ordem para esses estados de consciência passando do mais distante de Deus até o menos distante, na ordem do mais brando até o mais ofensivo: LUXÚRIA, GULA, AVAREZA, PREGUIÇA, RAIVA, INVEJA e SOBERBA. Além disso categorizou inveja,raiva e soberba como pecados cometidos por amor pervertido, à insuficiência de amor ele conectou a preguiça e a luxúria,  gula e avareza com amor excessivo aos bens materiais.
Dante Alighieri
 Na bíblia, o livro mais lido e vendido no mundo, já alerta para algumas recomendações e proibições que envolvem, também os dez mandamentos, o capítulo 16 do livro dos Provérbios afirma: "Estas seis coisas aborrecem o Senhor, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, a língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina pensamentos viciosos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre os irmãos", o que seria quase que um embrião da lista ja constando no livro sagrado.  
 
    Desde então listas das mais diversas têm se multiplicado nos mais diferentes círculos, Mahatma Gandhi (ativista, advogado,politico e mestre espiritual indiano, famoso pela sua participação na independência de seu país) elaborou sua  lista com sete pecados sociais,são eles: comércio sem moralidade; ciência sem humanidade; colaboração sem sacrifício; prazer sem consciência e conhecimento sem caráter. Até o próprio vaticano no ano de 2008 pela figura do bispo Gianfranco Girotti divulgou uma lista dos sete pecados modernos, o que não exclui a lista clássica e serve apenas de direcionamento para repensar algumas atitudes de nosso tempo, segue a lista do bispo: poluição ao meio ambiente; manipulação genética; riqueza obscena; empobrecimento alheio; tráfico de drogas; experiências científicas amorais e violação aos direitos humanos.
   Aos espiritualistas e caminhantes que se propõem em estudar a fundo as verdades dos deuses  é sempre bom estar atento aos estados de espirito para que não "caia em pecado" ou seja , envenenado por um estado negativo aja e pense de forma igualmente negativa repelindo o bem e a cura que estão tentando lhe acessar, a lista cristã assim como tantas outras recomendações de diferentes religiões (como não se deixar levar pelas oito preocupações mundanas, no budismo) nos dão o direcionamento da melhor trilha a seguir e da maneira menos dolorosa a se caminhar, como a máxima cristã diz ORAI E VIGIAI todas as 24 hrs por dia.

A conexão entre homem e Deus

 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Livros de Conhecimento: "A erva do Diabo" Carlos Castaneda (2/2)

Reflexão acerca do livro, no original,"The Teachings of Don Juan" (a Erva do Diabo; Carlos Castaneda) - parte II -


 A erva do diabo, Carlos Castaneda,1968, Universidade da Califórnia.

    Dando sequencia ao artigo passado onde abordamos dois dos quatro inimigos, ou desafios, naturais de um homem de conhecimento (Medo, Clareza, Poder e Velhice) continuamos nossa saga rumo a sabedoria, após vencermos o medo, que nos impulsiona a fugir dos desafios, através da coragem e do enfrentamento chegamos a nosso segundo desafio a clareza, essa nos torna cegos e incapaz de evoluir no conhecimento, através da humildade e também do enfrentamento aprendemos que nossa total clareza nada mais era que apenas um ponto na frente dos nossos olhos, ao derrubar esse inimigo nos deparamos com o poder pleno, onde o caminhante tem total controle sobre si e as energias, o que o leva ao nosso terceiro inimigo natura, o PODER.

PODER: Este inimigo nasce do empoderamento do discípulo que agora controla tudo ao seu redor, ou será esse controlado pelo poder? , Don Juan diz:"Um  homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso" e ainda segue comentando em outro trecho: "- Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar o seu poder." 
    Esse inimigo é o mais difícil de ser derrotado em função da falsa força que ele emana e por tentar o homem a "brincar de deus", porém se mesmo cego de poder durante algum tempo o homem abre seus olhos e volta a lutar contra, a batalha recomeça! (diferente do medo que se o aluno cair, o medo o afasta do caminho e ele nunca mais volta) A derrota definitiva vem quando o homem se rende ao poder e deixa-se perder-se. Para combater este mal ele ensina: "- Também tem de desafiá-lo, propositalmente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo."

    Após uma longa e exaustiva caminhada rumo ao saber, depois de uma extensa e penosa batalha contra seus inimigos predecessores "no momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espirito... um momento em que todo seu poder está controlado."   o sábio encontra, por fim, seu ultimo inimigo natural, aquele ao qual ninguém, de fato, pode derrotar, mas simplesmente afastar, depara-se então o homem com a Velhice.

VELHICE: Este fato biológico vai além do corpo, não se dá apenas na ultima fase da vida, mas pode atacar o discípulo a qualquer momento a partir da psique. Don Juan explica mais sobre esse desafio: "(...) vem o momento em que ele (homem de conhecimento) sente um desejo  irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria." 
    Porém em seu livro Castaneda, através de seu interlocutor indígena complementa:"Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente."

    A importância destas lições transcendem apenas aos seguidores do caminho, mas pode adaptar-se a qualquer homem em qualquer área de conhecimento, é pertinente a reflexão sobre esses "inimigos" em todos os momentos de nossa vida, estarmos atentos as armadilhas que eles nos impõem ao longo da trilha é de grande valia para aqueles que querem, de fato, chegar ao fim da jornada. Coragem!, Observação!, Humildade!e Ação!