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segunda-feira, 16 de março de 2020

Série Povos Indígenas - Shawãdawa (Araras)

Shawãdawa - o povo Arara

    Com uma população aproximada de 677 (2014) essa etnia indígena situa-se na região do Alto Juruá no estado do Acre, dividindo-se entre duas principais reservas indígenas, TI Arara – Igarapé Humaitá e Jaminawa-Arara – Rio Bagé, a primeira homologada em fins dos anos 80 e a outra em meados dos anos noventa tendo sido publicada no diário oficial da união apenas em 2001 e a portaria declaratória do Ministro da Justiça para que seja de posse permanente dos índios apenas em 2002.
    São conhecidos por Arara, nome dado pela frente de expansão do Alto Juruá no século XIX quando se fez o contato de brancos com essa etnia, eles se auto denominam como Shawãdawa podendo ser referidos também como “Shawanáwa”, “Xawanáua”, “Xawanáwa”, “Chauã-nau”, “Ararapina”, “Ararawa”, “Araranás”, “Ararauás” e “Tachinauás”, desde o contato até a homologação de suas terras foram um povo quase nômade fugindo dos seringais e também das muitas guerras intertribais no início do século XX, o que deu a eles uma alcunha de tribo guerreira, porém de lá pra cá muitas coisas mudaram e os Arara se adaptaram “aos novos tempos”, alterando um pouco sua organização, inclusive a organização social deixaram de viver em grandes malocas para viverem em pequenas casas próximas cada núcleo familiar
     Sua língua materna quase foi perdida, mas em função do resgate histórico da revalorização da
TI - Arara - Igarapé Humaita
identidade indígena e dos “antigos” seu idioma foi preservado e aos poucos vem se expandindo dentro do grupo. Como muitas outras etnias próximas a matriz linguística é o Pano, a região do Alto Juruá sempre foi (desde tempos imemoriais) dominada por grupos de matriz Pano e Aruak.
     Hoje em dia o acesso as aldeias se dá quase que exclusivamente por via fluvial, mas trilhas pela
floresta ligam uma comunidade a outra, algumas cidades Acreanas estão próximas de seu território, Cruzeiro do sul, segunda maior cidade do estado e Porto Valter teem maior relevância, Cruzeiro do Sul ainda hoje conta com muitos Araras residentes e integrados aos sistemas municipais e Porto Valter, por ser a mais próxima municipalidade, é onde a maioria dos araras comercializam seus produtos, além de terem conflitos de interesse por regiões de caça, já que, muitos caçadores de Porto Valter invadem as terras indígenas atrás de caça para consumo e comercialização. Como muitas outras etnias os Shawãdawa comercializam com as cidades produtos orgânicos, em especial a farinha de macaxeira, e compram itens de primeira necessidade como açúcar, sal, pólvora, etc. ainda hoje a caça, a coleta e o “roçado” são parte fundamental da sua cultura.
Curadores e guardiões
das medicinas Shawãdawa
     No universo das “medicinas” tradicionalmente, desde tempos imemoriais, esse grupo faz uso da “injeção do sapo” (Kambo) e o “simbu” (ou Timbu, Ayahuasca), praticam também o “Mariri” uma forma de dança ritualística que serve para alegrar a população e manter a unidade social, momento também em que os mais velhos, aqueles que dominam a língua matriz podem passar seu ensinamento tradicional, como em outros exemplos o “Campô” ou a vacina do sapo é indicada para aqueles com falta de sorte na caça, preguiça, fraqueza, etc., o “Timbu” usado mais frequentemente por “pajés” serve para aprender e curar, através do canto e da encantaria, já o rapé está mais associado aos rituais de caça e força para o dia a dia, além dessas medicinas eles praticam a defumação para limpeza energética, em tempos remotos, antes do contato, o uso das medicinas era mais comum entre a população no geral, hoje seu uso é mais restrito mas nota-se um crescente interesse por parte dos mais jovens em retomar essas tradições “...isso é desde o começo do mundo. A vacina do sapo é bom para quem está com cansaço na perna, para a pessoa engordar, para a pessoa matar caça, é muito bom. Para dor de cabeça é muito bom. A pessoa que dorme muito, toma aquela vacina do sapo, passa. Eu tomei muita vacina de sapo(João Martins, 10/03/2000, Cruzeiro do Sul)”
músicos shawãdawa ao pé da Samaúma
     Os indivíduos desse grupo se reconhecem como Araras (os animais alados) comparando-os a si no quesito de viverem em comunidades de fazerem a “zoada” (algazarra) e serem descendentes desse animal, antigamente dizia-se não ter diferença entre homem e bicho e cada bicho teve uma descendência ligada a cada uma das etnias indígenas, o mito de criação Shawãdawa varia de contador para contador mas De maneira bastante resumida, os principais elementos desse mito são os que seguem: existia uma maloca com diversas crianças, e próximo ao roçado um pé de Sumaúma, onde morava um gavião. Quase todos os dias esse gavião saía para caçar e trazia alimentos para o seu filhote. Quando a caça começou a acabar ele passou a pegar as crianças indígenas. Comeu todas as crianças menos uma.
   Nesse momento um “caboclo” da aldeia resolveu matar o gavião, antes dele “acabar” com os índios. Quando ele conseguiu matar o gavião, após muita dificuldade, tendo construído uma escada para chegar ao ninho, colocou penas dentro de um cesto. Em uma noite esse cesto começou a fazer um barulho, que o “caboclo” pensou serem baratas comendo as penas. No dia seguinte, pela manhã, ele abriu o cesto e não tinha baratas, só as penas. Após várias noites escutando o barulho, e no dia seguinte pela manhã conferindo o cesto e não encontrando o que fazia o barulho, um dia ao repetir a ação do cesto saíram cantando de felicidade todas as tribos Pano, cada uma dizendo o seu nome, Shawãdawa, Yawanawa, Kaxinawa, Xaranawa, Duwanawa, Poyanawa e outras. Esse mito é corroborado por outras etnias de maneira bem similar dando uma origem comum a todos os povos de língua pano e trazendo uma certa unidade parental imemorial.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Série: Povos Indígenas - Nukini


 
Nukini - o povo da onça pintada
  Nas palavras de Utista Nukini ou Paulo César de Oliveira Silva, uma das lideranças do povo Nukini “De acordo com os nossos antepassados, ‘Nukini’, quer dizer ‘onça pintada’. Nós somos um povo de origem da onça. Por isso nós temos respeito por ela e sempre carregamos alguma coisa da onça: um dente no cordão, pulseira ou tiara da pele dela. Hoje, nós vivemos na Terra Indígena Nukini, na fronteira do Acre com o Peru”
   Este povo indígena de matriz linguística Pano autodenominado Nukini (também conhecido como Inucuini, Nucuiny, Nukuini, Nucuini, Inocú-inins e Remo) habita e historicamente sempre habitou a região próxima ao Parque Nacional da Serra do Divisor, ao rio Moa e alguns outros afluentes do rio Juruá seu território fica na fronteira entre o Peru e o estado brasileiro do Acre, atualmente vivem em terra indígena demarcada (TI NUKINI), sendo o município mais próximo o de Mâncio Lima no Acre, abrangendo um território total de 27.264 hectares, sua demarcação começou na década de 1970 porém só foi demarcada em 1985 e homologada em 1991, desse tempo do começo do processo de demarcação aos dias de hoje a população total pulou de cerca de 150 pessoas para mais de 613, gerando uma necessidade de expansão da terra indígena, processo que ainda está em andamento sem prazo para se encerrar.
 
Vista do alto da Serra do Divisor, com rio Moa ao fundo
 (parte do TI Nukini)
A história do contato deste povo, como da maioria dos povos indígenas do Acre foi por causa dos seringueiros que a partir de 1827 que passaram a invadir os rios e seus afluentes atrás das seringueiras para a exportação de borracha, nesse período e posterior muitos povos foram dizimados e escravizados dado aos interesses econômicos daqueles que exploravam esse recurso, em função disso até hoje muitas etnias buscam a reconstrução da sua cultura e o crescimento de suas populações quase extintas. Hoje em dia o povo Nukini passou a reeducar suas crianças para falarem a língua tradicional e o português, em função da colonização desse povo quase se perdeu a língua matriz.
  As práticas medicinais desse povo envolve o uso tradicional de ervas, cascas e raízes como exemplificação O pau-amargoso, árvore de grande porte, é usada para picadas de insetos. A casca de jatobá, como a de copaíba e de arranha-gato, serve para fazer chá para dores em geral, tosse e inflações nos nervos. O chá da casca de quina-quina serve para malária. A seiva do talo da jarina e do olho do açaí para picada de insetos. O cipó-guaribinha – seiva espremida – é usado para gripe. A chichoá – casca curtida na pinga – é um tônico-geral. O malvarisco é utilizado para gripe, tosse e como calmante. O agrião para gripe, tosse, dor-de-dente, sendo ainda um anti-inflamatório.
Feitio de rapé na aldeia Nukini
  O contato com outras culturas também trouxe a ressignificação de algumas medicinas de uso tradicional como a ayahuasca “O povo Nukini, antigamente, tomava ayahuasca para descobrir o que tinha acontecido. A história conta que o povo Nukini era um povo muito guerreiro, matava e morria muito. Então ele tomava o chá e se concentrava na pessoa que tinha morrido e a ayahuasca mostrava quem a tinha matado. Daí ele ia lá e se vingava. Ou, então, quando um roubava a mulher do outro, ele se concentrava e descobria através do chá quem a roubou. Quando eles percebiam que os outros povos estavam sabendo da verdade e iriam se vingar e prejudica-los, daí eles furavam o olho do inimigo, porque quando eles tomavam o chá, não conseguiam se concentrar com o olho furado e eram incapazes de ver a verdade. Hoje não se usa mais assim. A gente usa para a consciência, o chá tem esse papel de resgate da cultura e do ser.- Utista Nukini “
  Sobre o rapé o mesmo Utista completa “O rapé é uma coisa nova. O povo hoje está fazendo misturas que antigamente não faziam. A gente usava um rapé diferente, com ervas, que se fumava. Se tinha um bando de queixada por perto, o meu avô fumava no cachimbo esse tabaco com ervas e a fumaça dizia para onde as queixadas tinham ido. Os novos estão se entrosando com este tipo de sabedoria, mas o povo Nukini ainda tem muito o que descobrir. O povo Nukini não é bem tradicional, perdeu uma base de 60 por cento da sua cultura, mas ainda tem muita coisa guardada, pode-se dizer que é uma etnia em reconstrução.”
   Muitas etnias passam por esse processo de reconstrução de sua própria identidade, resinificando sua ação no mundo e preservando seu habitat, trocando experiência com o mundo de fora e informatizando suas comunidades valorizando o tradicional em paralelo com as técnicas modernas. Valorizar e divulgar essas culturas milenares é o nosso dever e nossa alegria .Este texto foi elaborado com base em duas fontes oficiais que contam a história e a realidade desse povo, indico aqui para aqueles que quiserem se aprofundar um pouco mais https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Nukini e http://cpiacre.org.br/conteudo/2017/01/20/nukini/

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Série: Povos Indígenas - Katukinas (Noke Kui)

aldeia Noke kui próximo a Br-376,
cruzeiro do Sul AC

   Katukina é um nome genérico dado a alguns grupos indígenas que habitavam uma área próxima uma da outra, mesmo que falando troncos linguísticos completamente diferentes, hoje em dia
encontramos essa alcunha para pelo menos três grupos diferentes, um no amazonas e dois no estado do Acre. Ambos grupos acreanos, de tronco linguístico Pano, não se auto denominam katukina, o grupo que reside próximo a cidade de Feijó se reconhece como Shanenawa e o outro como Noke Kuin “gente verdadeira” que vivem naTerra indígena do rio Gregorio e a TI do Campinas, próximo a Taruacá e Cruzeiro do Sul, fontes mais recentes estimam sua população total em mais de mil e duzentos indivíduos
  Os Noke Kuin se dividem em seis clãs, no qual é passado de pai para filho (antigamente e mesmo ainda hoje alguns defendem que originalmente a descendência era matrilinear) se denominam esses grupos como Varinawa (povo do Sol), Kamanawa (povo da onça), Satanawa (povo da lontra), Waninawa (povo da pupunha), Nainawa (povo do céu) e Numanawa (povo do juriti), tradicionalmente eles habitam núcleos familiares em torno de um casal mais velho com seus filhos e filhas solteiros e os seus filhos homens casados com suas esposas.
romeya Noke Kui e o Kambo
  É um grupo muito ligado a medicina do Kambo, aplicado até em bebes de meses de idade,
tradicionalmente o kambo é usado para potencializar o sistema imunológico curando doenças, afastando a tikishi, livremente traduzido como “preguiça” e a panema, falta de sorte na caça, em sua sociedade a própria aplicação do kambo reflete sua estrutura social, exemplificando, homens tomam kambo nos braços e peitoral, para fortalecer para as funções de caça e abrir roçado, o que exige muita força física, já nas mulheres o kambo é aplicado nas pernas, tendo em vista a função de fortalecer a as pernas e a região uterina contribuindo para o serviço de carregar macaxeira e os filhos, além do serviço doméstico.
   Tradicionalmente os curadores, ou shoitiya “aquele que tem a canção de cura”, fazem uso do rapé como forma de conexão e facilitador no intercâmbio com o mundo sobrenatural, em seções de cura e em iniciações, através do uso buscam estimular os sonhos com Rono Yuxin, o espirito da cobra grande, que ensina em sonho as canções de cura e como reconhecer os sintomas das doenças, também se utilizam do Huni ou ayahuasca, porém seu uso está mais associado aos rumeyas, os grandes xamãs.
   A respeito do contato com o branco, assim como a maioria das tribos acreanas, se deu no momento
povo Noke kui
da invasão dos caucheiros peruanos e dos seringueiros brasileiros, é um povo que tem muita troca cultural com outras etnias, em especial os Kulinas, Marubos, Yawanawa e Huni Kuin, a relação com os Yawanawa costuma ser de amor e ódio, porem ambas se uniram para a busca por demarcação de suas terras, em relação aos Kulinas muitas das canções de cura entoados ainda hoje pelos katunkinas são de autoria Kulina, hoje em função dos deslocamentos suas terras já se encontram muito distantes uma das outras, em compensação os Marubos em tempos recentes são a etnia mas próxima dos katukinas, sendo identificados até como um mesmo grupo que em um passado muito distante, mesmo antes dos brancos, haviam se separado, mas ainda mantem a divisão de clãs semelhante, a língua e alguns costumes muito parecidos.
   Há relativa interesse acadêmico nos Noke Kuin (talvez pela facilidade de acesso a suas terras) sendo encontrado alguns autores que produzem muito conhecimento a respeito dessa etnia como por exemplo Edilene Coffaci de Lima, doutora em antropologia pela Usp (e base para esse pequeno texto), como referência podemos destacar também o site https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Katukina_Pano .

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Maria "La Sabia"

    Maria Sabina, la mujer espiritu, foi uma curandeira mexicana muito conhecida entre os anos 60 e 70, radicada em Huautla de Jimenez, pequena cidade do interior mexicano a cerca de 200 km de Oaxaca, nas montanhas Mazateca. Sua vida foi cercada de provações, como todo grande espirito, passou fome, viu seu filho ser assassinado, aprendeu através da dor e da necessidade a curar os males da alma, do corpo e da mente com a ajuda de "los niños santos" ou "minhas crianças" como se referia aos cogumelos do gênero Psilocybe mexicana,  sua fama chegou aos EUA e a Europa, transformando-a em um dos símbolos da contracultura dos anos 60, mesmo com tanta fama e sendo reverenciada como uma santa em algumas regiões do México, sua vida terminou como começou, na pobreza em meio as montanhas, não recebeu quase nada por seus rituais, suas canções e seus cogumelos.

  Seu avô e bisavô também foram shamans Mazaltec, parte de seus conhecimentos provem de sua família, Maria Sabina foi a primeira curandeira a abrir seus rituais de Velada para estrangeiros, o que lhe trouxe fama, muitos ícones pop da época como John Lennon, Mick Jagger e outros músicos, artistas e cientistas foram ter com a curandeira suas experiencias enteógenas. Infelizmente devido a atitude hedonista e pouco sacramental dos estrangeiros que desvirtuaram seus trabalhos de cura, maria se tornou profundamente incomodada com a situação chegando a afirmar que a pureza dos cogumelos havia acabado e que nunca mais eles teriam sua força de volta.
Psilocybe mexicana
     Através da ingestão dos "cogumelos mágicos" a shaman se conectava com os espiritos ancestrais que a guiavam nos processos de cura, ela mesma relatou que antes dos estrangeiros as pessoas recorriam aos niños santos unica e exclusivamente para curar suas mazelas, agora as pessoas buscam através da experiencia psicodélica um contato com o divino, por incapacidade pessoal de se conectar ou por simples hedonismo, apenas uma experiencia psicodélica.
    Sua história é um exemplo de luta e simplicidade, e a resignificação que fizeram de seus cogumelos nos servem aos dias de hoje como um alerta para o quanto deixamos de nos conectar com Deus e banalizamos a sacralidade de um momento em detrimento de desejos egoicos de "ficar loucão" de ter uma experiencia, mas no fim não saber o que fazer dessa experiencia.
Matéria da revista Life Magazine que trouxe fama mundial a Maria Sabina nos anos 50

a seguir alguns vídeos que complementam o conhecimento a cerca da Velada e de Maria Sabina

                                                    Palavras do Mestre Nuno

                                           MARIA SABINA, mujer espíritu   

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Animal de Poder - Beija-Flor

Força do Beija-Flor

  Beija-flor, conhecido por muitos nomes como, Colibri, PicaFlor, Hummingbird, Cuitelo, Pindo, etc. é um dos animais símbolo do continente americano, sua presença está documentada desde o norte no Alasca até o extremo sul na Terra do Fogo. Muitas culturas (se não todas!) ao longo deste território se encantaram pela pequena ave de movimentos rápidos, cores brilhantes e uma capacidade de voar muito diferente de qualquer outro pássaro.
  Devido ao seu aspecto único ela tocou de cheio o imaginário e o espiritual dessas nações gerando inúmeros contos e lendas para tentar traduzir ao consciente o que a presença de uma pequena ave desta trás a alma de cada indivíduo. Seus significados variam como mensageiro divino por excelência, talvez por voarem em todas as direções inclusive ficar parado no ar, simbolizem a capacidade de deslocamento entre os planos, dos mais elevados aos mais baixos e estacionar onde for necessário. Xamãs, Pajés , Curadores, Medicine Men, e toda a gama de curandeiros do continente evocam o espirito do beija-flor em suas curas, canções e danças.
  Também a simbologia do amor, rogando ao fato primordial da polinização o ato de fecundar algumas espécies de flores, podendo ser evocado o fato desta espécie ter ficado conhecida como beija-flor em algumas partes. Uma lenda do povo Taino de Porto Rico diz que antigamente existia um casal muito apaixonado, porém os jovens, cada um pertencente a uma tribo rival, não podiam ficar juntos devido a pressão da família, amigos e costumes da época, para fugir do problema rogaram ao grande espirito para que os ajudasse, transformando assim um em um beija-flor e outra em uma linda flor vermelha e assim ambos puderam resplandecer seu amor trazendo abundância e beleza para toda a floresta.
 Nota nota curiosa a respeito desse pássaro é que ele só voa de dia, nas noites frias ele chega quase a parar seus batimentos num estado de quase coma, porém quando o sol aparece ele "renasce" sendo assim, também, um símbolo do renascimento do ser, principalmente para os povos Andinos. Para algumas nações amazônicas a presença do beija-flor é a própria presença de Deus.

Poderes Associados ao Beija-Flor

Cura
Amor
Presença Divina
Agilidade
Alegria
Renascimento
Beleza
Delicadeza


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Convidamos a todos a se aprofundarem no estudo do beija-flor junto a fogueira e a sagrada medicina da ayahuasca.


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Encontro com a tribo Arara Shawãdawa

   Neste mês de Agosto tivemos o prazer de receber pela primeira vez em Boituva dois representantes do povo Shawãdawa do acre, representados pela figura do senhor Francisco e seu filho Gabriel que vieram compartilhar um pouco dos ensinamentos e vivências da mata, além do encontro cultural os "txais" também fizeram uma roda de rapé e o trabalho de uni (timbu;ayahuasca), onde muitos dos membros e visitantes do Templo Polimata Boituva  puderam sentir a força da floresta e aprender a respeito da bebida e de como agir diretamente com um professor da floresta.

  Bem vindos povo Shawãdawa! A seguir algumas das fotos dos nossos encontros:














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  Aproveitando e convidando a todos aqueles que vieram e aqueles que ainda não tiveram o prazer desse encontro para que no dia 22 de setembro de 2018 todos nós possamos fazer desta troca mais um momento especial junto a Deus e nossos irmãos e irmãs.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Semana indígena com a tribo Arara Shawãdawa

  Nesse mês de Agosto nós da Irmandade Polimata temos o prazer de receber a tribo Arara Shawãdawa, representados aqui por dois de seus membros, pai e filho, que vieram do Acre para compartilhar seus ensinamentos a repeito da força da floresta e dividir um pouco de sua cultura conosco.
  Ao longo dos próximos meses a tribo excursionará entre os templos e missões Polimatas pelo estado de São Paulo (Mairiporã-Campinas-Boituva-Jundiaí) e nosso querido Templo Polimata de Boituva foi selecionado para dar início a essa nova imersão na cultura indígena do Acre, mais especificamente dos Arara Shawãdawa.
Programação da semana indígena com a tribo ARARA SHAWÃDAWA:

23/07 (quinta feira) das 21 as 23  - encontro cultural, roda de conversa e ensinamentos (satsang indígena !) - evento gratuito, sem ervas de poder, para todos aqueles que quiserem conhece-los 

24/08 (sexta feira) das 21 as 23  - Roda de rapé e sananga indígena com a Tribo Arara Shawãdawa aberto a todos os interessados (visitantes R$40 e membros R$20)

25/08 (sábado) das 17 as 04:00  -  Ritual Xamânico com a tribo Arara Shawãdawa (Visitantes R$150; Membros R$80)
                                    17h | Recepção e palestra cultural
                                    18h | Roda de Rapé e Sananga com cantos sagrados
                                    20h | Jantar / Sopa vegetariana
                                    22h | Início do ritual / pajelança com Ayahuasca
                                    04h | Encerramento

26/08 (domingo) as 08 - Kambô indígena com a tribo Arara Shawãdawa (Membros e visitantes,(pós ritual xamânico) R$60; Visitante (avulso) R$120; Membro (avulso) R$60)

terça-feira, 22 de maio de 2018

Livros de Conhecimento: "A erva do Diabo" Carlos Castaneda (2/2)

Reflexão acerca do livro, no original,"The Teachings of Don Juan" (a Erva do Diabo; Carlos Castaneda) - parte II -


 A erva do diabo, Carlos Castaneda,1968, Universidade da Califórnia.

    Dando sequencia ao artigo passado onde abordamos dois dos quatro inimigos, ou desafios, naturais de um homem de conhecimento (Medo, Clareza, Poder e Velhice) continuamos nossa saga rumo a sabedoria, após vencermos o medo, que nos impulsiona a fugir dos desafios, através da coragem e do enfrentamento chegamos a nosso segundo desafio a clareza, essa nos torna cegos e incapaz de evoluir no conhecimento, através da humildade e também do enfrentamento aprendemos que nossa total clareza nada mais era que apenas um ponto na frente dos nossos olhos, ao derrubar esse inimigo nos deparamos com o poder pleno, onde o caminhante tem total controle sobre si e as energias, o que o leva ao nosso terceiro inimigo natura, o PODER.

PODER: Este inimigo nasce do empoderamento do discípulo que agora controla tudo ao seu redor, ou será esse controlado pelo poder? , Don Juan diz:"Um  homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso" e ainda segue comentando em outro trecho: "- Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar o seu poder." 
    Esse inimigo é o mais difícil de ser derrotado em função da falsa força que ele emana e por tentar o homem a "brincar de deus", porém se mesmo cego de poder durante algum tempo o homem abre seus olhos e volta a lutar contra, a batalha recomeça! (diferente do medo que se o aluno cair, o medo o afasta do caminho e ele nunca mais volta) A derrota definitiva vem quando o homem se rende ao poder e deixa-se perder-se. Para combater este mal ele ensina: "- Também tem de desafiá-lo, propositalmente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo."

    Após uma longa e exaustiva caminhada rumo ao saber, depois de uma extensa e penosa batalha contra seus inimigos predecessores "no momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espirito... um momento em que todo seu poder está controlado."   o sábio encontra, por fim, seu ultimo inimigo natural, aquele ao qual ninguém, de fato, pode derrotar, mas simplesmente afastar, depara-se então o homem com a Velhice.

VELHICE: Este fato biológico vai além do corpo, não se dá apenas na ultima fase da vida, mas pode atacar o discípulo a qualquer momento a partir da psique. Don Juan explica mais sobre esse desafio: "(...) vem o momento em que ele (homem de conhecimento) sente um desejo  irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria." 
    Porém em seu livro Castaneda, através de seu interlocutor indígena complementa:"Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente."

    A importância destas lições transcendem apenas aos seguidores do caminho, mas pode adaptar-se a qualquer homem em qualquer área de conhecimento, é pertinente a reflexão sobre esses "inimigos" em todos os momentos de nossa vida, estarmos atentos as armadilhas que eles nos impõem ao longo da trilha é de grande valia para aqueles que querem, de fato, chegar ao fim da jornada. Coragem!, Observação!, Humildade!e Ação!

sábado, 5 de maio de 2018

Livros de Conhecimento: "A erva do Diabo" Carlos Castaneda (1/2)

Reflexão acerca do livro, no original,"The Teachings of Don Juan" (a Erva do Diabo; Carlos Castaneda) - parte I -

Para mi solo recorrer los caminos que tienen corazon, culaquier camino que tenga corazon.
 Por ahi yo recorro, y la unica prueba que vale es atravesar todo largo. Y por ahi yo recorro mirando, mirando, sin alinto.
- DON JUAN


     No livro "A Erva do Diabo" Carlos Castaneda nos trás elementos de sabedoria tradicionais dos povos indígenas da região entre México e EUA, trabalhando entre os reais ensinamentos de xamãs e caminhantes com complemento de uma alegoria ficcional o autor nos apresenta alguns conceitos do uso de ervas de poder, de aliados no caminho da sabedoria, do aperfeiçoamento do ser, entre outros aspectos. Dentre os ensinamentos passados no livro um importante ponto de reflexão é a respeito dos"inimigos naturais do homem de conhecimento" a saber: Medo, Clareza, (abordados neste primeiro artigo) , Poder, Velhice,(segundo artigo). Em suas explicações o personagem Don Juan nos fala a respeito dos inimigos e como derrota-los:

MEDO: O primeiro dos quatro inimigos, nas palavras de Don Juan: "(...) O Medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.". 
    Em outra passagem ele nos conta de onde surge esse medo: "- Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga.Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem." ele continua no verso a seguir, "Devagar, ele começa a aprender... a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes.E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder.Seu propósito torna-se um campo de batalha." Naturalmente, sem uma força de propósito o caminhante cai, aí reside a prova, vencer o medo para fortalecer o propósito e seguir adiante.
   O autor, através das palavras do xamã também nos dá a indicação do caminho para vencer os inimigos, no caso do medo ele diz: "- (...) Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural.".

    Ao dominar seu primeiro inimigo o homem fica livre dele, adquiri a clareza, a clareza de espirito que apaga o medo, um momento feliz onde o discípulo conhece seus reais desejos, sabe como satisfaze-los, com o propósito fortalecido e confiante acerca dos mistérios ele encontra seu segundo inimigo:

CLAREZA: O segundo inimigo natural, ou segundo grande desafio que o discípulo deve superar vem quase como uma consequência a primeira vitória, afinal, clareza de mais pode nos cegar, a respeito disso Don Juan nos fala: "( a clareza) Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro e não pára diante de nada porque é claro. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, sucumbiu a seu segundo inimigo, (...).Vai precipitar-se quando deveria ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. (...)."
    Caso o aprendiz seja derrotado nesta etapa ele nunca volta ao medo, sua clareza não se dissipará seu conhecimento ficará estagnado e ele incapaz de aprender novas coisas e nem desejará por novos patamares, tornar-se-a um bravo guerreiro ou um palhaço porém nunca alcançará a sabedoria de fato.
    Para vencer este desafio nosso interlocutor ensina:"- Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder."

    Assim em sua longa jornada o caminhante já superou dois grandes obstáculos para chegar ao conhecimento, seu poder está pleno, seus aliados estão a sua ordem, não vê mais o ponto diante dos olhos, não existem obstáculos para nada  tem uma compreensão e uma ação em diversas esferas da vida, sua força esta nas alturas... mas aí ele se depara com o mais forte dos inimigos...o PODER.
    
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*** Postado originalmente por Raony Dubas da SIlva em Floresta em Paz , blog de xamanismo***

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Agenda Templo Polimata Boituva - Maio

Templo Polimata Boituva carinhosamente anuncia a agenda referente a Maio 2018:

05/05 - Sábado
19h - Ritual de Uni - Xamanismo

06/05 Domingo
08h - Kambô

12/05 - Sábado
19h - Satsanga Védico a Sri Narasimha

13/05 - Domingo
8h - Kambô
15H -Roda de Miração com Victor Veiga

19/05 - Sábado
19h - Yagé Orixás a Oxumaré

20/05 - Domingo
8h - Kambô

26/05 - Sábado
19h - Voo do Condor - Xamanismo

27/05 -Domingo
8h - Kambô 






quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Agenda Templo Polimata Boituva - Março

Agenda Polimata Março 2018



10/03 - Sábado
19hrs - Ritual de Yagé Orixás a Oxala

11/03 - Domingo
9hr - Ritual de kambo

17/03 - Sábado
17hrs - Roda de rapé Medicinas da Jibóia
19hrs - Ritual de Uni

18/03 - Domingo
9hrs - Ritual de Kambo

24/03 - Sábado
19hrs - Ritual do Sagrado Feminino

25/03 - Domingo
9hrs - Ritual de Kambo feminino

31/03 - Sábado
19Hrs - Satsanga Védico a Sri Gaura-Nitai

01/04 - Domingo
 7hrs - Ritual de Kambo


Visitantes favor entrar em contato para preencher a ficha de anamnese antes de frequentar os Templos Polimata

Endereço - Estrada municipal 3 irmãos n 08, Água Branca, Boituva, Sp