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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Templo Polimata Boituva tem o prazer em anunciar a volta dos estudos abertos!

Vista de fora do salão do TP-Boituva

 . 
     Depois de um ano um tanto atípico para todos nós, um ano de recolhimento, um ano de superação, um ano de análises, um ano de morte e renascimento, onde muitos de nós tivemos que nos despedir de parentes e amigos que partiram para um novo nascimento, tivemos que aprender a viver com menos, rever nossos planos para pensar como que de duas em duas semanas, os quatorze dias de isolamento, vivemos tempos de mudanças em uma escala global.
detalhe: salão TP-Boituva
  Aqui no Templo sentimos de perto os efeitos de um ano não só atípico em função da pandemia mas também do clima, a falta de chuvas e a irregularidade da mesma fez-se notar nos detalhes, mas que para o observador os sinais da natureza foram claros, a escassez de água no poço, a quase extinção do lago e o crescimento da faixa de areia no riacho fez-se evidente a todos que partilharam deste quadro, é bem verdade que o ano não acabou, o ciclo termina na próxima mudança de estação em março e ainda “vivemos em 2020” mas a mudança também já é evidente. 
detalhe: Pôr-do-sol vista do TP-Boituva
    A esperança e a certeza no sol que raia depois da tempestade é endossado pelos sinais da Natureza, a volta da regularidade da chuva, aqui para nós, no microcosmos, é um dos sinais, em um aspecto mais amplo e mais subjetivo, a proximidade da família, a volta dos nossos corações e mentes para as coisas mais simples e importantes é um desses aspectos, digo isso em um aspecto global, bem verdade que visto através dos olhos deste interlocutor, mas de uma maneira geral vejo as pessoas se voltando a aspectos mais transcendentais da existência, vejo as pessoas reavaliando a importância da presença dos familiares, vi durante a parte mais restritiva do isolamento a atenção daqueles com um pouco de condições para aqueles em situação de risco, as famosas marmitas, as doações, o risco de por a cara na rua para prestar solidariedade ao próximo, o aspecto mais sublime da humanidade, a compaixão e a caridade, o ato de dar sem esperar receber, prestar um serviço ao próximo é prestar um serviço a Deus.    
auṃ gaṃ gaṇapataye namaḥ
auṃ śrīṃ mahālakṣmyai namaḥ
  Por esses casos e acasos da vida a volta aos estudos abertos (23/01/2021) do Templo Polimata de Boituva será na cadeira dos estudos de Hinduísmo, reverenciando a Laksimi e Ganesha, rituais que tradicionalmente abrem e fecham um “ano letivo”, esse ano com um sentimento especial que exprime essa ânsia, esse desejo e esse agradecimento pelos futuros louros que colheremos de nossos atos baseados nos sentimentos sublimes. Laksmi, que a senhora da prosperidade, da abundância, da manifestação, do feminino, essa Mãe Divina que roga e mantem toda a existência possa, através de nossos méritos, nos abençoar com sua riqueza, e que o senhor Ganapati, aquele que é sagaz, perspicaz, estratégico, senhor dos exércitos, um poderoso guerreiro que nos protege e abre nossos caminhos, através das suas poderosas armas, o amor, o conhecimento, a sabedoria, a humildade o destemor, possamos nós sermos merecedores de um pouco de sua atenção, que sua luz divina possa nos abrigar nesse ano e multiplicar todos nossos méritos e recompensas. 
         Mais uma vez, com alegria, damos início a mais um ano letivo de estudos a respeito de como transcender as misérias da condição humana, de como valorizar e criar dentro de nós as qualidades mais divinais possíveis, aprofundar-se no autoconhecimento para estarmos mais completos para nós mesmos e consequentemente para o nosso entorno, treinar nosso interior em compaixão, em amor, em caridade, em sabedoria, convidamos a todos para mais um ano de descobertas e redescobertas.
Terreirão TP-Boituva (área aberta para estudos)






segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Quem tem medo de Exu ?

Imagem representativade Orixa Exu
Oyo, Nigeria, 1920.
  Neste mês de novembro, com muita alegria, teremos em nosso templo de Boituva nossa gira de esquerda aberta, com ayahuasca, ritual na linha de estudos das tradições afro-brasileiras, este ritual está pautado na louvação e manutenção da energia de Exu e sua contra-parte feminina reverenciada como Pombogira dentro de nossa Casa, seja ela entendida como nosso corpo/mente/alma, ou nosso querido Templo Polimata de Boituva. 

   Muito podemos dizer de Exu, assim como muito são seus nomes, seja ele reverenciado como Orixá Exu, a ponte entre o mundo humano/físico/Ayé e o divino/espirtual/órùn (Oníbodè aquele que está na passagem dos dois mundos), o primeiro a ser reverenciado, aquele que é lembrado a todo instante, o primeiro a ser louvado ao acordar (Ajíbíkèé), o senhor e propagador da riqueza e prosperidade (Alájé) aquele que detém a magia, o primeiro a ser louvado e o último a ser saudado em todo ritual, afinal ele quem traz o axé (Aláse ou alaxé), esse Orixá que permite que ocorra um ritual místico (seja ele qual religião for, por isso muitos nomes foram dado a essa energia ao longo da história), é também a função de Exu reequilibrar o Axé e dar caminho (ou impor as dificuldades para que a pessoa se movimente, o que gera um pouco de mal entendido a respeito de sua atuação que é única e exclusiva para o bem Maior), por essas características também é associado ao movimento, a subida e descida, o bem e o mal, o caminho do meio.  

Culto a Exu no Candomblé,
 Brasil 1978

      Podemos constatar essa característica com um conto que diz: “Um dia no interior de nosso País dois vizinhos que dividiam uma cerca volta e meia se estranhavam e disputavam a liderança sobre um pouco de terra, um dia passou um homem entre eles que usava parte do chapéu vermelho e parte do chapéu preto, cada qual virado para um lado, nessa um dos vizinhos disse: “Quem diabos é esse do chapéu vermelho? - no que o outro retruca: “Mas que cabra! É chapéu preto! (...) Nessa começam uma longa discussão que gera um enorme conflito entre eles, uma verdadeira guerra se instaura e depois de muito sofrimento aquele pequeno pedaço de terra disputada se torna uma terra independente.” Nesses versos entendemos uma atuação de Exu, sendo o País nosso corpo, nosso ser, e os dois vizinhos, que se degladeiam pelo pouco pedaço de terra, que somos nós, podem ser lidos como nossa luz e sombras, assim ao final de uma longa batalha, nós, o pequeno pedaço de terra, torna-se independente, agregando os dois lados, Exu exerce a fricção necessária, neste caso, para que possamos evoluir, exu não é mal, mas pode ser visto como tal se olhado com uma mente limitada que não reconhece as causas e efeitos, essa energia é justa e sim é caridosa! 

    Há muitos outros Itans (contos que são passados de geração em geração de forma oral para que se perpetue a cultura Iorubá) que contam mais sobre Exu, colocando-o como um comilão que devora tudo pelo fato dele ser sempre o primeiro a receber toda e qualquer oferenda, tendo em vista que o culto afro-brasileiro e muitos outros de origem africana estão muito associados a oferenda de alimento, algo precioso neste contexto de população, as divindades, o ato de darmos nosso melhor as divindades, oferecermos não só nosso melhor bem material, mas principalmente nossas melhores virtudes e ações. 

  Detentor de toda a sabedoria humana, com ele não há enganação só verdade e bondade, é nosso caminho ao reino de Oxalá, a nossa paz interior, esta importantíssima divindade do panteão Iorubá foi um dos primeiros seres a serem criados por Olodumaré para se encarregar da Criação, reconhecemos, também, sobre as alcunhas de Elégbára, o todo poderoso, Bara, o maravilhoso ou incomensurável, Àwúre, boa sorte,coisas boas, Òdàrà, o espetacular, Láàróyè, aquele que deve ser honrado, admirado. O culto desta divindade se expandiu para além das terras Iorubás na África e hoje esta muito presente nas religiões afro-americanas como Santeria cubana, A Umbanda brasileira, o Vodu Haitiano, no Candomblé brasileiro, Em Trinida e Tobago, República Dominicana, Venezuela e tantas outras nações que receberam os povos africanos.



   Por fim, Exu é alegria, é a ponte que necessitamos, o começo do caminho para alcançar os reinos celestiais mais e mais altos, aquele que está no início e no fim de nossa jornada, cultuado muito além das terras tupiniquins e presente nos 4 cantos da criação Laaróyè Èsù!  


Egba rà bó ago mojuba rà (Tenho fé e peço licença para louva-lo em minha casa*)

Egba Kose (Tenho fé, amém.*)

Egba rà bó ago mojuba rà (Tenho fé e peço licença para louva-lo em minha casa*)

Lè gbálè èsù loná (Seu poder exu, limpa o caminho*)


* tradução aproximada não literal

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Águas de Oxalá


ÁGUAS DE OXALÁ – PURIFICAÇÃO E RENOVAÇÃO

Oxalá o é detentor do poder de criação masculino e um Orixá que predominantemente utiliza a cor branca. Ele é alheio a toda a violência, disputas, brigas e gosta de ordem, da limpeza e da pureza. Se manifesta de duas maneiras: OXAGUIÃ jovem guerreiro, e OXALUFÃ, velho apoiado num bastão de prata (APAXORÓ).
Em Janeiro é celebrado um dos mais longos e belos rituais do Candomblé, chamado de Águas de Oxalá, tem grande importância para as religiões de matrizes africanas, pois inicia as atividades religiosas e prepara essas atividades através da purificação. Nesse ritual é recordado o caminho mitológico de Oxalá como pai de todos os Orixás.
As águas de Oxalá é considerado um rito de passagem o fim e o começo, um novo ciclo e principalmente é tido como um rito de purificação e renovação.
O ritual em si consiste em: início na primeira quinta feira do ano, ao anoitecer, com a procissão de Oxalá até ao "Bàlotìn" – uma pequena cabana construída com folhas de palmeira. A partir deste momento, o silêncio é obrigatório, em memória ao sofrimento de Oxalá, durante a prisão. Na madrugada de sexta-feira, faz-se a procissão do transporte das águas, em quartinhas para o banho de Oxalá. No domingo, celebra-se o Pilão de Oxaguian. Os festejos se estendem aos dois domingos seguintes. Os ritos podem sofrer alterações de casas para casas.


Itan: Águas de Oxalá
Oxalá fez uma viagem para visitar seu filho Xangô, só que a viagem havia sido desaconselhada pelo Bàbáláwo.
A persistência de Oxalá e o desejo de ver o filho foram maiores. No decorrer da viagem, por três vezes, Exu dificultou o caminho, sujando-lhe as vestes brancas.
Quando chegou ao reino de Xangô, Oxalá foi confundido com um ladrão de cavalos e foi injustamente preso. Aí permaneceu por sete anos, período no qual o reino de Oyó passou por inúmeras e graves dificuldades.
Xangô foi consultar o Bàbáláwo e este lhe disse que, naquele reino, estava sendo cometida uma injustiça. Xangô teria que libertar um prisioneiro que estava ilegalmente preso há sete anos. Trouxeram Oxalá à presença de Xangô que logo o reconheceu e libertou. Xangô pediu perdão a Oxalá e ordenou que todas as pessoas do reino carregassem água para que pudessem banhar Oxalá e se penitenciar do erro cometido, Xangô, em sinal de humildade, carregou-o nas costas de volta até o Palácio de Oxaguian. Oxaguian, muito alegre com o regresso de Oxalá, ofereceu um grande banquete.
As águas representam a purificação e penitência quanto aos erros que nós cometemos, durante a vida. A água também é um elemento de limpeza espiritual e de bênçãos.
O branco das vestes de Oxalá simboliza a pureza, a simplicidade, a espiritualidade, características desse Orixá. Além disto, o branco é a junção de todas as cores e Oxalá é também sinal de união e paz.
Esse Itan nos deixa a mensagem de iniciarmos o ano na energia de Oxalá, nos purificando com as águas, deixando para trás tudo aquilo que se passou e que não agrega valor em nossas vidas. E iniciar o ano vestindo-nos de paz, união, humildade, que saibamos viver a pureza, preservando a vida, e o respeito ao próximo, para que assim possamos nos manter em paz durante todo esse novo ciclo.
v  Dia: Sexta-feira
v  Cor: Branco
v  Simbolo: Opáxoró (cajado com pássaro na extremidade) e o Pilão (Oxaguian).
v  Elementos: Atmosfera e Céu
v  Domínios: Poder procriador masculino, Criação.
v  Saudação: Epa Bàbá
v  Oferendas: Canjica Branca, Uva verde, pêra, maçã verde, , Lírio branco, copo de leite e flores brancas no geral. Inhame pilado (Oxaguian)

Epa Bàba!
Minhas mais humildes reverências!
Juliane Camargo 01/2020.

Referências
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;

domingo, 11 de agosto de 2019

Ossain, Kó si ewé, kó sí Òrìsà!!


Orixá Ossain é a divindade das plantas medicinais e liturgia. Ele é um orixá importantíssimo, pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença. Ele detém todo conhecimento das plantas, suas utilizações e as palavras (ofo), cuja força desperta seus poderes.
            Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá. Todo Orixá possui suas próprias Ewé (folha), mas somente Ossain conhece os segredos de cada uma delas.
            Ele é um grande sacerdote das plantas, feiticeiro que através das plantas é capaz de realizar curas e milagres. As ervas detêm a cura de todas as doenças físicas, emocionais e espirituais.
            Ele possui como símbolo uma haste de ferro, que na extremidade possui um pássaro de ferro forjado, cercada por outras seis hastes formando um leque para o alto. O pássaro é a representação do poder de Ossain. É o seu mensageiro que vai a toda parte, volta e se empoleira sobre a cabeça de Ossain para lhe fazer o seu relato.
            Ossain traz a energia da cura e do equilíbrio em todos os aspectos de nossas vidas. Ele é um Orixá solitário que vive nas matas traz também a energia da introspecção e autorreflexão, pois não se cura aquilo que se desconhece, para se curar é necessário saber a verdadeira raiz da doença, seja ela física, emocional ou espiritual.
Itan: Repartição das folhas entre os Orixás
Ossain havia recebido de Oloduramaré o segredo das ervas.
Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém,
Um dia Xangô se queixou à sua mulher, Oiá-Iansã, senhora dos ventos, de que somente Ossain conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros deuses estavam no mundo sem possuir nenhuma planta.
Oiá levantou suas saias e agitou-as impetuosamente.
Um vento violento começou a soprar.
Ossain guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de árvore.
Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou:  “Ewé O! Ewé O!”  (Oh! As folhas! Oh! As folhas!)
Mas não pôde impedir que os deuses as pegassem e as repartissem entre si.

Refletindo sobre o Itan, podemos entender que o conhecimento existe para ser compartilhado e multiplicado entre todas as pessoas, mas os segredos devem ser compartilhados apenas para aqueles que conseguem mantê-lo. Ser Humilde e entender que somos eternos aprendizes nos proporciona maturidade. O veneno e o remédio muitas vezes são extraídos da mesma planta, o que os diferencia é o conhecimento sobre as quantidades e dosagens de cada um deles. As vezes por falta de humildade, por “achar” que sabemos coisas acabamos nos envenenando, acreditando que estamos nos medicando. Ossain deixa a mensagem de humildade, de disciplina e busca pelo conhecimento.
·         Cores: Verde e Branco
·         Símbolos: Haste ladeada por lanças com um pássaro no topo.
·         Elementos: Floresta e Plantas selvagens (Terra).
·         Saudação: Ewé ó! (Oh as folhas)
·         Oferendas: Fumo com mel, ervilhas torradas, frutas doces, velas verdes ou brancas
Ewé ó!
Minhas mais humildes reverencias!
Juliane Camargo

Bibliografia:
As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001;
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;
Tarô dos Orixás – Ademir Barbosa Junior – Ed. Anubis, 2015;

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Nanã Buroquê a mais antiga Divindade das Águas!


Salubá Nanã


            Nanã no sincretismo é Nossa Senhora Santana, ela está ligada com a criação da terra e associada a figura de uma Orixá idosa ou avó.  A menção de avó vem por ela ser muito sábia e respeitada dentre os Orixás, ela é amorosa, acolhedora, sempre paciente com nossas imperfeições e orienta quando não sabemos qual caminho seguir.
Essa grande Orixá é a mais antiga divindade das águas, não das ondas turbulentas do mar, como Iemanjá, ou das águas calmas dos rios, domínio de Oxum, mas das Águas paradas dos lagos e lamacentas dos pântanos. Estas lembram as águas primordiais que foram encontradas no mundo para a criação da terra.
Nanã desenergiza as águas, apassivando-as, na linha das águas ela flui através da corrente universal, que é passiva, apassivadora, racionalizante, aquietadora e etc. Ela traz a energia da água e da terra, decanta os seres que estão sobrecarregados de negatividade.
As águas turbulentas dos rios em algum momento desembocam num lago, aquietando-se momentaneamente, se decantarão todas as impurezas incorporadas no seu fluir contínuo, permitindo que elas desçam até o fundo do lago, só assim, decantadas, as águas serão úteis.  Ela atua nos espíritos que serão conduzidos ao reencarne, mas ainda se encontram muito negativos, ela paralisa esse negativismo, prepara o espírito, para que a reencarnação do mesmo seja possível. Ela atua diretamente na evolução e nos carmas dos seres, ela que acompanha o reencarne e o desencarne, por isso também é conhecida como Senhora da vida (lama primordial) e da morte (dissolução do corpo físico na terra).
Os lagos possuem a força absorvente, Nanã atua dessa forma, absorvendo as energias densas mais profundas. Quando se adentra as energias de Nanã a pessoa recebe grandes transformações em seus modos de agir e ser, pois ela absorve as partes negativas do ser. O silêncio e a calma são primordiais, pois quem se aprofunda, entende que é melhor observar muito antes de se manifestar sobre qualquer situação.
Itan: Nanã fornece a lama para a modelagem do homem
Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos.
Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu.
Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra ainda a tentativa foi pior.
Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã Burucu veio em seu socorro.
Apontou para o fundo do lago com o seu Ibiri, seu cetro e arma, e de lá retirou uma porção de lama. Nanã deu a porção de lama a Oxalá, o barro do fundo da lagoa onde ela morava, a lama sob as águas, que é Nanã.
Oxalá criou o homem, o modelou de barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixás povoou a terra.
Mas tem um dia que o homem morre e seu corpo tem que retornar a terra, voltar a natureza de Nanã Burucu. Nanã deu a matéria no começo, mas quer de volta no final tudo o que é seu.

Nanã nos deixa a mensagem de calmaria, de mergulharmos profundamente dentro no nosso ser para que as energias dela limpem e decante nossa parte negativa e nossos carmas. Ela trabalha com as energias mais profundas que existem dentro de nós, como uma grande sábia, ela mostra cada parte obscura que está sendo transmutada dentro de cada um para termos consciência daquilo e aprendermos um novo padrão. Ela é uma Orixá que proporciona curas profundas e grandes ensinamentos, devemos nos conectar com ela quando precisamos de tranquilidade e sabedoria para nos melhorarmos como pessoas.


·         Cores: Lilás e Branco
·         Saudação: Salubá Nanã (nos refugiamos em Nanã)
·         Simbolos: Ibiri (bastão de hastes de palmeira usado para afastar a morte)
·         Oferendas: Flores Lilás, alimentos que dão embaixo da terra, incensos de flores, velas brancas ou lilás.

Saluba Nanã!!
Minhas mais humildes reverências!
Juliane Camargo
Bibliografia:
As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;
As Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;
Umbanda Sagrada: Religião, Ciência, Magia e Mistérios – Rubens Saraceni - São Paulo: Ed. Madras, 2017;