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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

OGUM - ARCANO VII - A CARRUAGEM

O Carro no tarot mitológico

INTRODUÇÃO


O tarot, representando aspectos e faces da jornada espiritual e humana, relaciona-se diretamente com forças e necessidades que foram contempladas pelo culto aos orixás e que, nós, como caminhantes do polimatismo, podemos absorver de forma mais ampla, a fim de compreender melhor as partes do todo. Seguindo esse raciocínio, podemos entender que o arquétipo do orixá Ogum e do arcano VII do tarot, o Carro ou Carruagem, estão relacionados e cruzados em diversas formas, dentro das simbologias apresentadas em ambos. Explanaremos a seguir como se relacionam a lâmina e Orixá Guerreiro, a fim de entender como os aspectos dessa fase da jornada estão refletindo suas semelhanças e possuem a mesma fonte divina.
Primeiramente, faz-se necessário entender os elementos que permeiam a carta em si, e de que forma elas se relacionam com a força do arquétipo de guerreiro, denotando batalha, vitória, triunfo, movimento, ação, determinação, domínio, etc.


O Triunfo de Marco Aurelio


O TRIUNFO
Palavras-chave: vitória, triunfo, marte, guerra, roma

O triunfo, (em latim triumphus) é uma cerimonia e tradição civil e religiosa que tem origem na Roma antiga. Nesse rito, era dado o direito a um líder militar vitorioso em batalha que desfilasse em uma carruagem por uma procissão, a fim de apresentar sacrifício aos deuses e mostrar-se ganhador perante a população. Para ser um vir triumphalis (homem do triunfo), era preciso enviar uma solicitação e um relatório ao senado. O desfile triunfal colocava o vir triumphalis quase em pé de igualdade a um semideus, e era concedido apenas por mérito militar excepcional. A rota do triunfo romano tinha origem no Campo de Marte (planeta regente de Ogum e deus romano relacionado à guerra e à agricultura), uma zona pública bastante populosa do império. Apesar do caráter de homenagem e exibição do general bem sucedido, ele costumava se portar com humildade e prostrar-se perante às divindades, reconhecendo sua vitória em nome do senado, do povo e dos deuses de Roma, levando sacrifícios animais à estes. O triunfo romano é uma vívida materialização da lâmina analisada, como podemos observar nas imagens abaixo.


O Triunfo de Aemilius Paulus (Carle Vernet)




ARQUÉTIPO DE OGUM NA LÂMINA
Palavras-chave: ferro, tecnologia, armas, militarismo

   O arquétipo do orixá Ogum é, necessariamente, de um guerreiro triunfante. O deus de origem yorubá é o senhor dos caminhos, das armas, das demandas, da guerra e agricultura. O militarismo, a espada, as batalhas e as vitórias estão todas relacionadas a ele. O desenvolvimento tecnológico também é creditado a esse deus, pois ele regeu a saída da humanidade da pré-história para a Idade do Ferro, momento no qual o homem obteve domínio sobre técnicas de fundição do ferro e sua utilização para ferramentas e armas, marcando assim o início de uma nova era para a humanidade. Atualmente, dentro da renovação do culto aos orixás e novas tradições, temos Ogum relacionado à guerra interna dos caminhantes espirituais que precisam vencer a si mesmos. Dessa forma encontramos seu sincretismo com São Jorge, soldado romano comumente visto em suas imagens montado em um cavalo e triunfante sobre um dragão. O cavalo de São Jorge significa os impulsos inferiores do homem que precisam ser dominados a fim de acessar a grande vitória sobre si próprio. O cavalo de Ogum, portanto, está presente na Carta e trataremos mais detalhadamente a respeito do animal em tópico próprio.


Batalha de Kurukshetra


A CARRUAGEM
Palavras-chave: domínio, movimento, ação, deslocamento, determinação

A carruagem, também conhecida como carro, representa movimento e ação. Montada em cima de rodas, nos da a idéia de deslocamento de um ponto a outro. Vista em cenários de batalhas, está presente na Guerra de Kurukshetra. Nessa batalha, Krishna e Arjuna se encontram em uma quádriga - considerada a carruagem dos deuses e heróis - e vão em direção à vitória. Na quádriga, encontramos hasteada a bandeira de Hanuman, fazendo alusão à invencibilidade. A carruagem no tarot, dominada por seu dirigente, representado com vestimentas nobres, com adornos, coroa e cetro, nos remonta à determinação e domínio. Assim como São Jorge domina seu cavalo, aquele que tomar as rédeas da própria carruagem e governar seus cavalos irá se dirigir impreterivelmente a ganhar. É a execução tomada após uma decisão, com pulso firme e júbilo, ao mesmo tempo em que é um desfile de um vencedor que já obteve sucesso. Esse é o simbolismo do invencível, do guerreiro corajoso e destemido.


O CAVALO

A medicina do cavalo é muito ampla. Tanto no arcano como no arquétipo de Ogum, ele representa a natureza inferior do homem, seus sentidos, suas forças inconscientes e o fim da desgovernança de si próprio quando enfim dominado. Ainda, é um animal que, junto com o resto da simbologia, nos remete à movimento, locomoção, caminhos, desenvolvimento e ação. É onde os guerreiros montam para irem à batalha. Não obstante, exala beleza e imponência, é um animal forte e veloz, que traz abertura de passagens e transição. Quando o homem domou o cavalo, a velocidade das viagens, antes lentas e pesarosas, tornou-se mais rápida, dinâmica e menos trabalhosa, pois agora o cavalo também carregava cargas. Isso proporcionou um avanço imenso no desenvolvimento da humanidade. Na antiguidade, possuir esses equinos era símbolo maior do poder bélico de um exército. Aquele que possuísse uma carro de guerra guiado por eles obtinha uma enorme vantagem sob seus rivais.

O Carro no tarot de Marselha

CONCLUSÃO

 O arquétipo do tarot e a força do Orixá se convergem em vários pontos. Ambos são figuras masculinas nobres, dominadores de cavalos, direcionadores de caminhos vitoriosos e trazem a figura do invencível, do guerreiro obstinado, da determinação em movimento, do triunfante. Ação e velocidade. Nem a carruagem e nem Ogum perdem tempo naquilo que não interessa na batalha.













O Carro em tarôs clássicos: Jacques Vieville (1650)  Jean Noblet (1650),  Nicolas Convert (1760) e  François Tourcaty (1800)

por Beatriz Mazzini, membra do clã Templo Polimata Campinas



REFERENCIAS

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Louvor aos Orixás - Ogum


OGUM


            Ogum, orixá oriundo da mitologia iorubá, é muito mais do que regente dos caminhos e aplicador de lei. Sua vasta atuação encontra terreno fértil em diversos cultos para semear o caminho de guerreiro no coração de seus devotos e admiradores. Desde a sua adoração em cultos antigos até o presente momento de evolução, dificilmente aparece dissociado de sua espada e escudo. Relacionado à forja do ferro e à guerra, irmão de Exu e Oxóssi, é o senhor das próprias armas e caminhos, exalando postura tradicionalmente marcial e isenta de temores ou covardias.
            Ogum é a representação da própria força em equilíbrio com a inteligência, estratégico e destemido, corajoso e voraz pelo domínio de si próprio. Sua vibração está ligada, por motivos culturais, ao poder de libertação e proteção que essa manifestação divina é capaz de conceder a quem tem fé, simbolizadas pelos já citados escudo e espada ou lança. Sincretizado com São Jorge e também com Santo Antônio, está sempre relacionado à batalhas e vitória sobre demandas, à escolta e ronda na luz e ao serviço devocional dos filhos de fé.
            Seu sincretismo com São Jorge exibe simbologia bastante pertinente ao posicioná-lo em domínio de seu cavalo com suas armas na mão. Acontece que o cavalo é associado, na psique humana, aos sentidos e impulsos animais do homem. O cavalo, quando cavalgando na escuridão, tem a visão noturna muito mais aguçada que o homem mas, quando a luz irradia, é o homem quem enxerga melhor do que o cavalo e assim o domina. Por esse motivo, São Jorge faz também sua morada na Lua, sendo a faceta que reflete a luz do Grande Sol e ilumina a terra em sua faceta de escuridão.

O mesmo acontece com aquele que se irradia sob a luz desse orixá e é igualmente valente o suficiente para ser conduzido por Ele pelas encruzilhadas e caminhos internos a fim de vencer os próprios impulsos de baixa frequência.
            Ao se trabalhar na vibração de Ogum, somos chamados a atender uma guerra interna que pode se manifestar sob diversos prismas e que tem por fim aumentar nosso grau de elevação sob nossas limitações espirituais, materiais, mentais e emocionais. Ogum conduz sempre à vitória pois está amparado no Pai Maior e nos traz, ao mesmo tempo, sensação de coragem e fé que nos impulsiona para tais batalhas sem medo e com garantia de sucesso de nossa luz sob as trevas.
            Antes mesmo de lutar, Ogum já venceu. E assim são também seus filhos e protegidos, livres de receios e amparados pela luz. Batalham com coração, mente e olhar fixos nos princípios divinos e com fé e convicção de que, no fundo, não há derrotas a serem temidas para quem age de acordo com a lei do Criador. Ogum é a manifestação maior do Guerreiro que venceu a maior de todas as demandas – sua natureza e impulsos egóicos -  e, por consequência, assim derruba todas os outras juntas através da servidão prestada junto ao Pai Divino.
***Texto Escrito por: Beatriz Mazzini (Bia) - Membra Clã do Camaleão - IP-Campinas para o blog da ordem polimata***


sexta-feira, 9 de março de 2018

Louvor aos Orixás - Oxalá


OXALÁ
            Oxalá é um dos orixás mais conhecidos e cultuados no Brasil. Por estar sincretizado diretamente com a figura popular da representação de Deus e também de Jesus Cristo na umbanda, tem o poder de suscitar nas pessoas os sentimentos mais elevados de e amparo religioso. Para que se entenda porque esse sincretismo ocorreu, inicialmente, é preciso desconsiderar essa carga de influência cristã tão arraigada e estabelecer em quais aspectos esse orixá vibra e sintoniza na natureza e nas pessoas de modo individual.
            Dentro da teoria dos tronos assentados no divino, de Pai Benedito de Aruanda, Oxalá é responsável pelo grande Trono da Fé, trabalhando diretamente nas questões de religiosidade dos seres. Suas manifestações simbólicas tem inúmeras interpretações e, na maioria das vezes, nenhuma delas foge das idéias centrais dessa vibração.

Inicialmente, temos que as cores mais comumente associadas a Ele são o branco e o azul celeste. O branco tem a função de ser a cor que unifica todas as outras, ou seja, abrange todas as sete frequencias de vibração do arco íris e, consequentemente, todas as sete linhas vibratórias dentro dos tronos assentados nas coroas divinas comumente cultuadas na umbanda. Nesse sentido, Oxalá nos traz a idéia de completude, plenitude e união, assim como a ampla abrangência  divina da qual nada escapa. Ainda, é a cor que simboliza a paz em praticamente todas as culturas da humanidade. Associado ao azul celeste, nos remete ao silêncio meditativo, por ser cor deveras calmante, e à amplitude de consciência derivada desse estado meditativo. Também faz referência, obviamente, ao céu e portanto à elevação da alma. Seu campo de atuação são todos os lugares abertos e espaçosos, quais sejam, os locais que nos remetem a infinidez do universo e de consciência.
O instrumento que geralmente é encontrado junto ao pai dos orixás na sua representação imagética é o cajado, conhecido como Opaxorô. Associado em abundância com representações de sábios, anciões e grandes magos, o cajado vem nos remeter à idéia de ligação com os planos superiores, ou seja, de conexão entre mundos. Oxalá é quem segura a ligação que começa na terra e sobe até os céus, firmada em sua mão e aqui simbolizada por esse bastão. Também, é a ferramenta de trabalho de pastoreio, daquele que conduz o rebanho, em uma analogia geralmente feita entre o Espírito Santo e suas ovelhas na cultura cristã.
Muito mais do que isso, esse cajado está intimamente ligado ao processo meditativo de paz e união no qual Oxalá vibra, representando nesse momento a coluna vertebral do ser humano que atinge esse estado e o alinhamento de seus respectivos chakras. Desse modo, esse estado de consciência e a ligação entre os mundos terreno e divino estão especificamente simbolizados em Oxalá por seu Opaxorô. 


Na maioria das vezes em que Oxalá toma uma forma humana, ele se encontra apoiado em seu cajado mas também curvado, de modo que nos remete a um ser já mais velho e humilde. É justamente essa humildade que faz com que Ele seja tão reverenciado porque, do alto de toda sua majestade, curva-se perante suas ovelhas para escutá-las e enxergá-las. A posição, ao mesmo tempo, faz referência à sua superioridade, pois Ele é quem nos olha de cima e nos auxilia a subir até o Altíssimo.
Por fim, temos que sua ligação animal é com a pomba branca. Também relacionado muitas vezes ao sincretismo católico, esse é o pássaro universalmente conhecido como mensageiro da paz, assim como é a missão de Oxalá e de seus filhos de fé. Esse animal sintetiza ambas as cores, sendo branco e fazendo alusão ao céu, voando em fundo azul claro.  Dessa forma, temos que a pomba branca gera e transmite tudo aquilo que se faz necessário para que seja mantida a paz na Terra. Como exemplo, a união e o respeito entre os irmãos encarnados, o pacifismo e a mansidão de caráter, a conexão com a fonte suprema de consciência, etc. É nessa frequencia extremamente elevada e divina que pai Oxalá se encontra e nos espera pacientemente em sua eternidade.  
***Texto Escrito por: Beatriz Mazzini (Bia) - Membra Clã do Camaleão - IP-Campinas***

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Templo Polimata Boituva, com louvor e carinho, convida a todos a entrarem em contato com o Pai Divino, na forma de Oxala, junto a todos os Orixás e guardiões. 



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Louvor aos Orixás - Yemanjá

YEMANJA
Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes")
Orixá Yemanja se coaduna com as teorias científicas evolucionistas de que a vida surgiu no oceano, sendo esse seu campo de força. Ela tem  sob sua regência, dentro da ótica divina dos orixás, a maternidade, a criação e a geração. Assim como no macro toda a vida começou na água, na cosmologia divina também encontramos a mesma origem. A água em sua simbologia geralmente se refere as emoções, ao feminino e a processos inconscientes. Em suma, essa Yabá tráz todos esses aspectos em sua simbologia, pois representa a memória humana da origem da vida, trazida no inconsciente por cada ser, de que de alguma forma saimos do mar, do amor da mãe divina
Festa de Yemanja (2 de fevereiro) - No sincretismo com Nossa Senhora
dos Navegantes 

Dessa forma, Yemanjá atua diretamente em tudo aquilo que o ser humano, em sua condição de encarnado, tem como sua criação e geração. Ela é protetora dos lares e das famílias, das mães, mas não se limita nessa questão de maternidade literal, na qual dois seres humanos geram uma terceira vida. Ela atua na maternidade em sentido amplo, no amor incondicional à humanidade e por essa razão é comumente representada com os braços abertos, de forma a simbolizar sua receptividade irrestrita. É o orixá que não se limita a dar origem à toda forma de vida, mas que também acolhe, ampara e protege a todos.
Ainda sobre a simbologia de seu campo de força, o oceano, temos que o mar é conhecido por Calunga Grande, ou seja, o grande cemitério. As calungas menores são os cemitérios humanos em terra. Sendo dessa forma, quem rege o trono oposto à Yemanja, sendo seu parceiro no polo negativo, é orixá Omulu, que em parceria divina paralisa e neutraliza os fatores que atentarem negativamente contra a vida ou usarem os poderes de criação e geração contra as leis divinas.  Esse fator é explicado em partes, por exemplo, pelo sal grosso na água marinha. O sal grosso, dentro da umbanda, é capaz de retirar e neutralizar todos os tipos de energia. Nesses termos, temos na movimentação ondina constante que o mar tem a força de puxar e devolver incessantemente, criar e neutralizar, dar o bem e sugar o mal, nos auxiliando nesse plano terrestre em nível energético, sendo capaz de gerar grande serenidade e equílibrio com sua irradiação.
Em alguns momentos, temos que a mãe divina é representada como Mamãe Sereia, criatura mítica que é metade mulher, metade peixe. O peixe, para o entendimento dentro dos orixás, é visto como representação de fecundidade, aquele que se movimenta com domínio pelas àguas, que simboliza fartura e busca espiritual pela origem e destino da alma, natural de todo ser que inicia o processo da inconsciencia para a consciência. Representa também a Mãe Virgem, aquela que é a origem de todas as coisas, e que portanto gera em sí e para si mesma a vida.

Em resumo, a atuação de Yemanja simboliza a espiritualidade e sua busca em seu sentido mais maternal, o aspecto feminino do Deus criador, que gera a vida em sí mesma para que ela se desenvolva e para si mesmo retorne. Por isso, ao se trabalhar na irradiação desse orixá, aspectos inconscientes de memória e emocionais, questões referentes à maternidade, busca espiritual, processos criativos e neutralização de  desequilibrios energéticos podem ser trazidos à baila.

***Texto Escrito por: Beatriz (Bia) - Membra Clã do Camaleão - IP-Campinas***
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Templo Polimata Boituva, com louvor e carinho, convida a todos a entrarem em contato com a Mãe Divina, na forma de Yemanjá, junto a todos os Orixás e guardiões.