sábado, 15 de setembro de 2018

Chegada em Terras Polimatas

CZS/Acre 06 de setembro de 2018

Chegada em terras Polimata
Conhecendo a comunidade local e início dos trabalhos.

Após uns dias de adaptação a cidade e ao clima local, finalmente cheguei em terras que por mim será chamada de “Sagradas”, nas terras onde será construído nosso Templo e nossa morada. Adaptado a cidade, agora foi a vez de familiarização com a comunidade local e a rotina diária de trabalho que estará por vir de hoje em diante.

Fui apresentado por nosso Gurudeva ao Sr. Francisco conhecido aqui na região por Tatu (Ele não gosta de ser chamado de Tatu) nosso capataz, uma pessoa muito simples, mas de muito bom coração e de muita vontade de trabalhar. Feita as apresentações... Já me fez trabalhar e eu de cara disse: “Opa!!! Bora lá” e fui logo pegando a maior motosserra que temos aqui e fomos cortar uma árvore caída imensa, toda oca com uma parede bem espessa para usar como cano de escoamento em casos das monções[G1]  e cheias no período de chuva por aqui na estrada.
Ritmo do Projeto Nawa / Gabriel Camargo

Cheguei aqui justamente as vésperas do dia em que a comunidade receberia o prefeito da cidade de Cruzeiro do Sul para tratar de questões de prioridade, entre elas está a questão da perfuração dos poços artesianos, Projeto idealizado por nosso Gurudeva através da ONG Nawa, possibilitando aos moradores de receber água potável em suas casas. Hoje pude comprovar por mim mesmo o quão sério é a questão de não se ter água potável por aqui! Toda água consumida na comunidade para beber, tomar banho, lavar roupas, utensílios domésticos e para cozinhar vem de igarapés existentes na região. Pude ver de perto a qualidade desta água e acreditem!!! Vocês não consumiriam desta água.

Na caída da noite, espetacular por sinal. Céu todo estrelado e sem nenhuma nuvem que atrapalhasse o visual cheio de estrelas, as constelações todas visíveis, Sr. Pedro, Sr. Francisco e eu saímos para visitar três famílias (na qual uma me chamou a atenção) para a formação da Associação de moradores a qual será de muita importância para toda comunidade do Ramal.

Uma família em questão são produtores de farinha de mandioca atividade econômica principal por aqui. Quando chegamos, nos deparamos com um casal na preparação da farinha. O marido estava removendo toda a umidade da mandioca através de um sistema de prensa bem rustico onde haviam 5 sacas de 50kg de mandioca separados um a um por ripas de madeira. Uma vez feito o processo de remoção da água, a mandioca triturada passara por mais algumas etapas (Detalharei isso futuramente em documentário em vídeo) até chegar no produto final e serem vendidas nas feiras da cidade.

Para o primeiro dia foi bem movimentado....
Conheci as terras “Sagradas”, pessoas simples e receptivas, iniciei meus trabalhos aqui e de quebra.... banho de rio!!! Não temos água nas casas ainda.
Por hoje é isso pessoal!!!

Fiquem todos ligados no blog para as novidades de nosso Templo do Acre.
Meu nome é Gabriel Camargo e estarei trazendo as notícias diretamente de nossa jornada e do templo daqui de Cruzeiro do Sul/AC e do nosso querido Gurudeva Mahasurya.

Minhas mais humildes e sinceras reverências a toda Ordem Polimata.
Minhas mais humildes reverências a Ushanovos, Ioshins, Iripãn e Kokarpinochari.
Todas as Glórias à Sri Mahadeva, Sri Bhagavan e Sri Shakti Devi.  ki...
Todas as Glórias à Sri Guru Maharaj Mahacarya Mahasurya Pandit Swami.  ki....
Jay

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

śrī mahākālī - श्रीमहाकाली

कृष्णमातृ
Kṛṣṇamātṛ, a mãe escura


Śrī Kālī.


O "conceito de Kālī" é mais antigo do que o nome e a figura que conhecemos atualmente. Na região do vale do  já extinto rio Sarasvatī, há registros de um conceito de conflito da dualidade entre o selvagem e o domado há mais de 4.000 anos.

Nos textos védicos, enxergamos referências de 
Śrī Kālī em Nirṛti – "aquela que destrói ṛti”, os ritmos usuais da natureza. É a ancestral deusa escura como carvão e descabelada que personifica o desconforto da humanidade diante da face obscura da Natureza.

Ligada à direção do sul, menos auspiciosa, tradicionalmente identificada com Yama, deus da morte, é indicada como uma das versões “primitivas” de Śrī Kālī, que possui uma representação registrada posteriormente como Dakṣiṇakālī  (que pode ser livremente traduzido como “a que vem do sul”).

Referências sobre Sua origem também foram registradas nas Upaniṣads e relacionam-Na uma das sete línguas de Śrī Agni, deus do fogo, que atua nos campos de cremação.

O Liṅga e o Skanda Purāṇas relatam o episódio em que Śrī Śiva pede pela intervenção de Śrī Pārvatī para matar um demônio, Daruka, que só poderia ser derrotado por uma mulher. Assim, Ela entra no corpo do Senhor Mahādeva, ingerindo um veneno que repousava em sua garganta e transforma-se em Bhadrakālī (literalmente, “Boa Kālī”). Após sua vitória, ainda intoxicada com o veneno e todo o sangue consumido, a Senhora da Escuridão teve de ser acalmada por seu Companheiro, que se coloca sob seus pés, conforme conhecida iconografia.

No śaktismo tântrico, é Ādimahāvidyā, a deidade presidente de um grupo de dez deusas, expansões de sua Natureza Última, e que representam diferentes aspectos da sabedoria divina, Daśamahāvidyā (algo como “as dez faces do grande conhecimento”):

·    Kālī: O Brahman Supremo, nirguṇa (que transcende qualidades e formas), o implacável tempo, que tudo devora;
·      Tārā: aquela que guia através das dificuldades;
·      Tripura Sundarī: a amável senhora dos três mundos;
·      Bhuvaneśvarī: a mãe suprema cujo corpo é o próprio Cosmos;
·      Chhinnamastā: a deusa que se auto-decapita (que alimenta e elimina o ego);
·      Bhairavī: a deusa feroz das muitas formas;
·      Dhūmāvatī: a viúva inauspiciosa, a pobreza personificada;
·      Bagalamukī: paralisadora de inimigos, que detém o poder da palavra;
·      Mātaṅgī: aquela que não possui casta, acessível aos “sujos”;
·      Kamalā: a auspiciosa deusa do lótus – Śrī Lakṣmī.

Daśamahāvidyās. 

Todavia, o mistério de Śrī Kālī simultaneamente transcende e envolve todas as diferentes visões sobre sua origem.

No macrocosmos, Mahākālī é a potência feminina do tempo (kāla), que move o universo manifesto e tudo devora, e que ensina ao sādhaka(caminhante espiritual) que é somente o medo da morte o que o faz mortal. No microcosmos do corpo humano, é kuṇḍalinī śakti, a essência do alento prāṇico que dá vida à matéria, e que conecta o sādhaka à sua verdadeira natureza transcendental.

Como Dakṣiṇakālī, controla a maré de destruição que varre toda a existência, em um ato de puro discernimento divino, e que prepara o terreno para a toda a auspiciosidade trazida pela benevolente Bhadrakālī, aquela que destrói para criar através do Amor Divino, sobre o cadáver (śava) de Śrī Śiva.

A Escura Mãe (“Dark Mother”, como é popularmente conhecida em inglês) é a eterna energia da evolução, cujas ações gradualmente manifestam as possibilidades divinas. Demonstra que as sucessivas mortes são o caminho para a imortalidade, e que sua escuridão é o momento que precede a aurora.

Implacável e destemida, é Cāmuṇḍā, a guerreira invencível, a noite personificada. Sua nudez reflete a própria Natureza em sua essência primordial, livre de qualquer ilusão e apego. É a dissolução da dualidade entre a mais elevada forma de luz, personificando o verdadeiro Dharma, e a mais absoluta escuridão, de onde tudo emana e onde tudo se dissolve.

As cinquenta e duas cabeças em sua guirlanda representam as letras do alfabeto sânscrito, simbolizando sua sabedoria e onipotência, que reside em sua identificação mútua como Parāśakti, a mais elevada potência criativa divina, que manifesta o universo em sua totalidade, e Parāvāk, a mais elevada palavra divina, fonte de toda a linguagem universal.

Seu cinto de braços humanos decepados é o símbolo da ação do karman, pois é ela quem abençoa seus devotos cortando-os do ciclo de nascimentos e mortes. A espada ensanguentada é a força da Compreensão Divina que corta a ignorância (o ego humano distorcido), representada pela cabeça decepada.  As mudrās emanam seus principais atributos, varada (a benevolência) e abhaya (o destemor).

A morada de Śrī Kālī é śmāsana (o campo de cremação), onde ela dança e a manifestação se dissolve. Lá também são dissipados os medos e apegos, a ira, a luxúria, os mais profundos sentimentos que enredam a alma aos grilhões da avidyā (“o conhecimento espiritual equivocado”). Śmāsana está no coração de seu devoto, que lá queima suas limitações e sua ignorância, sob a outorga da Grande Mãe Divina.

Ela se põe sobre o corpo de seu consorte pois sua refulgência coloca-o como o potencial passivo da criação. Śrī Kālikā é ninguém menos do que Śakti, a universal força feminina criadora, ativa. É a letra “i” no nome de Śrī Śiva, o que o diferencia de śava, um corpo sem vida.

Assim, o processo devocional polimata em honra à Śrī Durgā e Śrī Mahākālī reflete a dissolução das dualidades – pois ensinam que a mesma força que destrói e ilude é a potência que constrói e liberta – e a destruição de nossas tendências negativas, onde o triunfo sobre a mente representa a vitória das manifestações divinas face aos demônios da ignorância.

Śrī Śmāsanakālī.
श्रीमहाकाली
śrī mahākālī

गायत्री  
gāyatrī

ॐ कालिकायै विद्महे
श्मशानवासिन्यै धीमहि ।
तन्नो काली प्रचोदयात् ॥

oṃ mahā-kālyai ca vidmahe
śmaśāna-vāsinyai ca dhīmahi 
tanno kālī pracodayāt 

“Contemplamos Aquela que é o tempo e a escuridão
Meditamos n’Aquela que reside nos crematórios
Reverenciamo-nos Àquela que possui cor escura / que devora tudo como o tempo, para que nos ilumine com sabedoria.”

दक्षिणकालिका बीजमन्त्र
dakṣiṇakālikā bījamantra

ॐ क्रीं क्रीं क्रीं हूं हूं ह्रीं ह्रीं दक्षिणे कालिके ।
क्रीं क्रीं क्रीं हूं हूं ह्रीं ह्रीं स्वाहा ॥


oṃ krīṃ krīṃ krīm hūṃ hūṃ hrīm hrīm dakṣiṇē kālike
krīṃ krīṃ krīṃ hūṃ hūṃ hrīṃ hrīṃ svāhā


“Aquela que move o corpo sutil à Infinita Perfeição e além, corte-me o ego!
Ofereço minhas oblações à Mãe que dissolve a escuridão através da Potência Divina,  que move o corpo sutil à Infinita Perfeição e além, corte-me o ego!”

fonte: http://ashramdoacarya.blogspot.com/2018/09/navaratri-satsangas-sri-durga-e-sri.html por Yuri D. Wolf

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Encontro com a tribo Arara Shawãdawa

   Neste mês de Agosto tivemos o prazer de receber pela primeira vez em Boituva dois representantes do povo Shawãdawa do acre, representados pela figura do senhor Francisco e seu filho Gabriel que vieram compartilhar um pouco dos ensinamentos e vivências da mata, além do encontro cultural os "txais" também fizeram uma roda de rapé e o trabalho de uni (timbu;ayahuasca), onde muitos dos membros e visitantes do Templo Polimata Boituva  puderam sentir a força da floresta e aprender a respeito da bebida e de como agir diretamente com um professor da floresta.

  Bem vindos povo Shawãdawa! A seguir algumas das fotos dos nossos encontros:














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  Aproveitando e convidando a todos aqueles que vieram e aqueles que ainda não tiveram o prazer desse encontro para que no dia 22 de setembro de 2018 todos nós possamos fazer desta troca mais um momento especial junto a Deus e nossos irmãos e irmãs.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Semana indígena com a tribo Arara Shawãdawa

  Nesse mês de Agosto nós da Irmandade Polimata temos o prazer de receber a tribo Arara Shawãdawa, representados aqui por dois de seus membros, pai e filho, que vieram do Acre para compartilhar seus ensinamentos a repeito da força da floresta e dividir um pouco de sua cultura conosco.
  Ao longo dos próximos meses a tribo excursionará entre os templos e missões Polimatas pelo estado de São Paulo (Mairiporã-Campinas-Boituva-Jundiaí) e nosso querido Templo Polimata de Boituva foi selecionado para dar início a essa nova imersão na cultura indígena do Acre, mais especificamente dos Arara Shawãdawa.
Programação da semana indígena com a tribo ARARA SHAWÃDAWA:

23/07 (quinta feira) das 21 as 23  - encontro cultural, roda de conversa e ensinamentos (satsang indígena !) - evento gratuito, sem ervas de poder, para todos aqueles que quiserem conhece-los 

24/08 (sexta feira) das 21 as 23  - Roda de rapé e sananga indígena com a Tribo Arara Shawãdawa aberto a todos os interessados (visitantes R$40 e membros R$20)

25/08 (sábado) das 17 as 04:00  -  Ritual Xamânico com a tribo Arara Shawãdawa (Visitantes R$150; Membros R$80)
                                    17h | Recepção e palestra cultural
                                    18h | Roda de Rapé e Sananga com cantos sagrados
                                    20h | Jantar / Sopa vegetariana
                                    22h | Início do ritual / pajelança com Ayahuasca
                                    04h | Encerramento

26/08 (domingo) as 08 - Kambô indígena com a tribo Arara Shawãdawa (Membros e visitantes,(pós ritual xamânico) R$60; Visitante (avulso) R$120; Membro (avulso) R$60)

domingo, 5 de agosto de 2018

Templo Acre



Após algumas semana em minha missão no Acre, gostaria de compartilhar nossa caminhada.

Iniciamos a organização do terreno e posse definitiva de nosso templo de selva.
Nas fotos temos o querido Sr. Pedro e o Sr. Francisco e uma em que o Mestre deixou ser fotografado  J

Templo Polimata Cruzeiro do Sul / Acre / Brasil










terça-feira, 22 de maio de 2018

Livros de Conhecimento: "A erva do Diabo" Carlos Castaneda (2/2)

Reflexão acerca do livro, no original,"The Teachings of Don Juan" (a Erva do Diabo; Carlos Castaneda) - parte II -


 A erva do diabo, Carlos Castaneda,1968, Universidade da Califórnia.

    Dando sequencia ao artigo passado onde abordamos dois dos quatro inimigos, ou desafios, naturais de um homem de conhecimento (Medo, Clareza, Poder Velhice) continuamos nossa saga rumo a sabedoria, após vencermos o medo, que nos impulsiona a fugir dos desafios, através da coragem e do enfrentamento chegamos a nosso segundo desafio a clareza, essa nos torna cegos e incapaz de evoluir no conhecimento, através da humildade e também do enfrentamento aprendemos que nossa total clareza nada mais era que apenas um ponto na frente dos nossos olhos, ao derrubar esse inimigo nos deparamos com o poder pleno, onde o caminhante tem total controle sobre si e as energias, o que o leva ao nosso terceiro inimigo natura, o PODER.

PODER: Este inimigo nasce do empoderamento do discípulo que agora controla tudo ao seu redor, ou será esse controlado pelo poder? , Don Juan diz:"Um  homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso" e ainda segue comentando em outro trecho: "- Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar o seu poder." 
    Esse inimigo é o mais difícil de ser derrotado em função da falsa força que ele emana e por tentar o homem a "brincar de deus", porém se mesmo cego de poder durante algum tempo o homem abre seus olhos e volta a lutar contra, a batalha recomeça! (diferente do medo que se o aluno cair, o medo o afasta do caminho e ele nunca mais volta) A derrota definitiva vem quando o homem se rende ao poder e deixa-se perder-se. Para combater este mal ele ensina: "- Também tem de desafiá-lo, propositalmente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo."

    Após uma longa e exaustiva caminhada rumo ao saber, depois de uma extensa e penosa batalha contra seus inimigos predecessores "no momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espirito... um momento em que todo seu poder está controlado."   o sábio encontra, por fim, seu ultimo inimigo natural, aquele ao qual ninguém, de fato, pode derrotar, mas simplesmente afastar, depara-se então o homem com a Velhice.

VELHICE: Este fato biológico vai além do corpo, não se dá apenas na ultima fase da vida, mas pode atacar o discípulo a qualquer momento a partir da psique. Don Juan explica mais sobre esse desafio: "(...) vem o momento em que ele (homem de conhecimento) sente um desejo  irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria.
    Porém em seu livro Castaneda, através de seu interlocutor indígena complementa:"Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente."

    A importância destas lições transcendem apenas aos seguidores do caminho, mas pode adaptar-se a qualquer homem em qualquer área de conhecimento, é pertinente a reflexão sobre esses "inimigos" em todos os momentos de nossa vida, estarmos atentos as armadilhas que eles nos impõem ao longo da trilha é de grande valia para aqueles que querem, de fato, chegar ao fim da jornada. Coragem!, Observação!, Humildade!e Ação!

sexta-feira, 11 de maio de 2018

ॐ Śrī Nṛsiṃha Caturdaśī - Satsaṅgas ao Matador de Demônios

(texto originalmente postado em Ashram do Acarya por Yuri D. Wolf , membro do clã do camaleão Mairiporã e comandante da cadeira de hinduísmo)

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Nṛsiṁhadeva!


 नृसिंह अभयमन्त्र

Nṛsiṁha Abhayamantra – invocação da superação do medo (abhaya) de Prahlāda à Śrī Nṛsiṃha, presente no Śrīmad Bhāgavatam (Canto V, 18.8)
ॐ नमो भगवते नरसिंहाय
नमस् तेजस्-तेजसे ऽविराविर्भव
वज्रनख वज्रदंष्ट्र कर्माशयान्
रन्धय रन्धय तमो ग्रस ग्रस ॐ स्वाहा
अभयम् अभयम् आत्मनि भूयिष्ठा ॐ क्ष्रौम्

o namo bhagavate narasiṁhāya
namas tejas-tejase’vir-āvirbhava
vajranakha vajradaṁṣṭra karmāśayān
randhaya randhaya tamo grasa grasa o svāhā.
abhayam abhayam ātmani bhūyiṣṭhā o kṣraum.

“Ofereço minhas humildes reverências ao Senhor Nṛsiṃha, a fonte de todo o poder. Ao Senhor que possui garras e presas que são como raios, peço humildemente que derrote nossos desejos demoníacos por atividades fruitivas neste mundo material. Peço humildemente que surja em nossos corações e varra a ignorância para que, através de Vossa misericórdia, possamos transcender o medo na luta pela existência neste mundo material.”

Neste mês de maio, no Templo Polimata, celebraremos a grandiosa Nṛsiṃha Caturdaśī em nossos Satsaṅgas em nossos Templos em Boituva (12/05), Mairiporã (19/05) e Campinas (26/05). Trata-se do advento (aparecimento) de Śrī Nārasiṃha, o venerável matador de demônios.

Śrī Nṛsiṃha (श्रीनृसिंह, em sânscrito, onde nṛ/nāra = homem; siṃha = leão), é a quarta encarnação de Śrī Viṣṇu, e personifica a Ira Divina. É conhecido como o grande protetor dos devotos de coração puro dentro do caminho transcendental vaiṣṇava.

Nīlacakra, representação do Senhor Nārasiṃha no topo do Templo de Śrī Jagannātha, em Purī.

Sua manifestação se deu a partir do desequilíbrio cósmico causado pelo rei-demônio Hiraṇyakaśipu (hiraṇya = feito de ouro, dourado; kaśipu = assento), um ser provido de enorme ganância e insaciável anseio pelos prazeres mundanos, que se tornou incrivelmente poderoso a partir de grandes austeridades meditativas realizadas à Śrī Brahmā.

Seu irmão mais velho, o demônio Hiraṇayakṣa (“aquele que tem os olhos dourados”) já havia realizado o mesmo processo anteriormente, adquirindo poderes que permitiram-no conquistar o céu e aterrorizar a Mãe Terra. Assim, Hiraṇayakṣa teve de ser aniquilado por Śrī Vārāha, o javali: a terceira encarnação de Śrī Viṣṇu.

Quando Hiraṇyakaśipu parte para iniciar seu processo de austeridades à Śrī Brahmā, sua esposa, Kayādu, é raptada por Indra, o Senhor da Tempestade, rei dos céus e inimigo dos asuras, raça de Hiraṇyakaśipu. Nārada Muni, então, intervém e acolhe moça, que gerava um filho em seu ventre.

Enquanto cuidava de Kayādu, Nārada cantava constantemente o Santo Nome de Śrī Viṣṇu, como de costume. Percebeu então que a criança, ainda em gestação, respondia ao processo devocional (bhakti) por ele praticado. Estava ali plantada uma semente, no coração do bebê Prahlāda (cujo nome pode ser livremente traduzido do sânscrito como alegria, felicidade).

Neste meio tempo, Hiraṇyakaśipu concluiu suas austeridades e recebeu a visita de Śrī Brahmā, que lhe oferece uma bênção sob a forma de um desejo.

De princípio, pede à Śrī Brahmā o dom da imortalidade. Porém, uma vez que o próprio Senhor Brahmā não é imortal, o mesmo não poderia conceder tal pedido.

Assim, com o objetivo de alcançar virtualmente a imortalidade, o asurasolicitou uma série de particularidades para proteger-se, não podendo ser morto por nenhuma entidade criada por Śrī Brahmā ou pelas mãos de nenhum demônio, semideus ou animal, nem de dia, nem à noite, nem dentro, nem fora de nenhuma residência, não podendo estar no chão, nem no ar, ou virado face a nenhuma das quatro direções, por nenhuma arma de metal ou por efeito de nenhum tipo de veneno.

Assim, Hiraṇyakaśipu conquistou os três planos: bhū (o plano físico), bhuvāḥ(o plano astral) e svaḥ (o plano celestial), subvertendo a ordem natural, autoproclamando-se supremo e exigindo devoção por parte de todas as entidades.

Na contramão de todo o caos instaurado pelo asura, o jovem Prahlāda se encontra no processo transcendental junto à Śrī Viṣṇu, negando devoção ao pai-demônio. Tal ato provoca a ira de Hiraṇyakaśipu, que decide ceifar a vida de seu filho. Em diversas oportunidades, ordena atentados contra a criança santa que, entoando o nome de Śrī Nārayaṇa, era agraciada com uma bênção que o livrava do perigo, como, por exemplo, sob o estouro de uma manada de elefantes, à beira de um penhasco, em alto mar ou numa grande pira incandescente.

Consternado com o insucesso das várias investidas, Hiraṇyakaśipu decide por assassinar a criança ele mesmo. Numa tentativa de intimidar Prahlāda, oasura exibe diversas armas místicas de grande poder, ordenando que o menino renunciasse à sua fé em Śrī Viṣṇu e se prostrasse a seus pés. Este, inabalável, reafirma decididamente sua devoção, explicando que não temia o demônio, pois Śrī Viṣṇu já o havia protegido inúmeras vezes. Disse que, inclusive, o mesmo era onipresente e que estava ali, naquele momento, para protegê-lo uma vez mais.

Hiraṇyakaśipu não compreende a afirmação de Prahlāda e aponta para uma pilastra, questionando incredulamente se ali também se encontrava Śrī Viṣṇu. O menino responde afirmativamente e, então tomado pela ira, o asuraquebra a estrutura. Desta, materializa-se Śrī Nṛsiṃha.

Ao se deparar com Deus, encarnado em uma forma metade leão, metade homem, não criada por Śrī Brahmā, Hiraṇyakaśipu realizou sua desgraça. O combate foi deflagrado ao crepúsculo, que não se enquadra nem como dia, nem como noite. Rapidamente Śrī Nṛsiṃha surra o demônio até levá-lo para o meio de uma janela, que permite a ambos não estarem nem dentro e nem fora da residência. Assim, posiciona o asura sobre seu joelho e mirando o céu, já que esta não poderia ser morto nem no chão, nem no ar, nem voltado para nenhuma das quatro direções. Finalmente, considerando que Hiraṇyakaśipu não poderia ser morto por nenhuma arma ou veneno, Śrī Nṛsiṃha o estripa com suas dilacerantes garras leoninas.

Por fim, Śrī Nṛsiṃha transforma-se em Śrī Viṣṇu e abençoa Prahlāda, coroando-o soberano do reino conquistado pelo pai-demônio.

Assim, a encarnação do Deus-Leão nos ensina o valor da verdadeira fé, aquela que transcende os desejos e perigos e ilusões do mundo material, e que é capaz de iluminar e firmar o coração dos homens no caminho do amor, até nas mais obscuras adversidades.

Sobre sua iconografia, de acordo com o Vihagendra Samhitā (4.17), Deus-Leão possui mais de setenta formas diferentes, das quais nove são destacadas:

1.     Ugra-Nṛsiṃha: o feroz, em sânscrito. É representado sentado, e pode estar dilacerando o corpo de Hiraṇyakaśipu sobre seu colo;

Ugra-Nṛsiṃha
2.     Krodha-Nṛsiṃha: o irado, em uma mistura com Śrī Vārāha. Aparece com os dentes extrudidos, segurando a Mãe Terra entre seus dentes;

Krodha-Nṛsiṃha

3.     Malola-Nṛsiṃha: “o amante da Deusa”, uma de suas formas mais calmas, representado com Śrī Lakṣmī em seu colo;

Malola-Nṛsiṃha

4.     Jvālā-Nṛsiṃha: “em chamas”. Similar à Ugra-Nṛsiṃha, porém dotado de oito braços, nos quais dois seguram o asura, dois dilaceram seu estômago, dois seguram os intestinos do mesmo como uma guirlanda e os dois remanescentes seguram śaṅkha (a concha) e cakra (o disco);
Jvālā-Nṛsiṃha

5.     Vārāha-Nṛsiṃha: representado ao lado de Śrī Vārāha, em um híbrido com aspecto abstrato.
Vārāha-Nṛsiṃha
6.     Bhārgava-Nṛsiṃha: similar à Ugra-Nṛsiṃha, concedeu uma importante bênção à Śrī Paraśurāma, a quinta encarnação de Śrī Viṣṇu;

Bhārgava-Nṛsiṃha
7.     Karanja-Nṛsiṃha: referente a um passatempo de Śrī Hanumān, que executou um sacrifício sob uma árvore Karanja para obter uma visão mística do Senhor Rāma, a sexta encarnação de Śrī Viṣṇu. Possui um arco e detalhes humanos em seu rosto;

Karanja-Nṛsiṃha
8.     Yogānanda-Nṛsiṃha: retratado em postura ióguica, remete aos ensinamentos referentes à meditação passados para Prahlāda;

Yogānanda-Nṛsiṃha

9.     Pāvana-Nṛsiṃha: o purificador, encontra-se sentado com śaṅkha (a concha) e cakra (o disco).
Pāvana-Nṛsiṃha 
Invocações Mântricas 
श्रीनृसिंह महामन्त्र
Śrī Nṛsiṁha Mahāmantra
औं उग्रं वीरं महाविष्णुं
ज्वालान्तं सर्वतो मुखम् 

नृसिंहं भीषनं भद्रं
मृत्युर् मृत्युं नमाम्यहम् 

auṃ ugraṃ vīraṃ mahāviṣṇuṃ
jvālāntaṃ sarvato mukham 

nṛsiṃhaṃ bhīṣaṇaṃ bhadraṃ
mṛtyur-mṛtyuṃ namāmyaham 

Reverencio-me à furiosa e mais intrépida personalidade daquele que tudo permeia, cujas chamas estão por toda parte, o Homem-leão, que é terrível e auspicioso, a morte da pópria morte.

श्रीनृसिंह प्रणाम
Śrī Nṛsiṃha Praṇāma – mantra de reverência à Śrī Nṛsiṃha

नमस्ते नरसिंहाय 
प्रह्लादह्लाददायिने 
हिरण्यकशिपोर् वक्षः 
शिलाटङ्क नखालये 

namaste narasiṁhāya 
prahlādahlādadāyine 
hiraṇyakaśipor vakṣaḥ 
śilāṭaṅka nakhālaye 

इतो नृसिंहः परतो नृसिंहो 
यतो यतो यामि ततो नृसिंहः 
बहिर् नृसिंहो हृदये नृसिंहो 
नृसिंहं आदिं शरणं प्रपद्ये 

ito nṛsiṃhaḥ parato nṛsiṃho 
yato yato yāmi tato nṛsiṃhaḥ 
bahir nṛsiṁho hṛdaye nṛsiṃho 
nṛsiṁhaṃ ādiṃ śaraṇaṃ prapadye 

तव करकमलवरे नखम् अद्भुतश्र्ङ्गं ।
दलितहिरण्यकशिपुतनुभृङ्गम् 
केशव धृतनरहरिरूप जय जगदिश हरे 

tava karakamalavare nakham adbhutaśrṅgaṃ 
dalitahiraṇyakaśiputanubhṛṅgam 
keśava dhṛtanaraharirūpa jaya jagadiśa hare ॥

जय नृसिंहदेव जय नृसिंहदेव
जय नृसिंहदेव जय नृसिंहदेव ।
जय प्रह्लादमहरज जय प्रह्लादमहरज
जय प्रह्लादमहरज जय प्रह्लादमहरज ॥

jaya nṛsihadeva jaya nṛsihadeva
jaya nṛsihadeva jaya nṛsihadeva 
jaya prahlāda mahārāja  jaya prahlāda mahārāja
jaya prahlāda mahārāja  jaya prahlāda mahārāja 


“Reverencio-me ao Senhor Nṛsiṁha, que abençoa Prahlāda e cujas garras são cinzéis sobre pedra, no peito de Hiraṇyakaśipu.
O Senhor Nṛsiṁha está em todo lugar, onde quer que se vá. Está dentro e fora do coração. Rendo-me ao Senhor Nṛsiṁha, a origem de todas as coisas e o Refúgio Supremo.
Ó, Keśava (aquele que tem longos cabelos, ou uma juba), Senhor do Universo. Todas as Glórias, Ó Hari, Aquele que assumiu a forma metade homem, metade leão. Como se pode facilmente esmagar uma vespa nas mãos, o corpo de Hiraṇyakaśipu foi dilacerado por suas afiadas garras em suas belas mãos de lótus.
Todas as Glórias ao Senhor Nṛsiṁha
Todas as Glórias ao Senhor Prahlāda Mahārāja”.

श्रीनृसिंह गायत्री
Śrī Nṛsiṃha Gāyatrī– mantra de invocação da Deidade

ॐ वज्रनखाय विद्महे
तिक्ष्णदंष्ट्राय धीमहि ।
तन्नो नारसिंहः प्रचोदयात् ॥

o vajranakhāya vidmahe
tikṣṇadaṃṣṭrāya dhīmahi 
tanno nārasiṃhaḥ pracodayāt 

“Meditamos no naquele cujas garras são como raios, contemplamos aquele cujas presas são muito afiadas.
Reverenciamo-nos ao homem-leão, para que nos ilumine com sabedoria”.

श्रीनृसिंह बीजगयत्रि

Śrī Nṛsiṃha bījamantra – manta de repetição
ॐ क्ष्रौं नारसिंहाय नमः
o kṣraum nārasihāya namaḥ

“Reverencio-me ao homem-leão”.

- Sobre o bīja kṣraum: é um som seminal do Deus-leão, cuja força reside invoca a superação do medo diante das situações mais obscuras, como também a liberação de energia reprimida e a destruição de poderes demoníacos.

Śrī Nṛsiṃha em toda a sua bondade.

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!

Todas as Glórias à Śrī Śrī 
Nṛsiṁhadeva!

Minhas mais humildes, sinceras e profundas reverências,

Yuri D. Wolf

 स्नेह एवोत्तरम् ।
ज्योतिरेव मार्गः ॥
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Templo Polimata Boituva convida a todos a participarem neste sábado 12/05 da comunhão junto a Śrī Nṛsiṁhadeva e junto ao  Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī