quinta-feira, 25 de abril de 2019

Oxóssi o caçador de uma flecha só

Oxóssi

Oxóssi é o Orixá das matas, o grande caçador, a juventude, no sincretismo está associado a São Sebastião e dia 20 de janeiro ocorrem festas em seu louvor.
Orixá da fartura e do sustento (provê os alimentos) ele vive nas florestas e está relacionado com as árvores e os animais, protege contra os ataques das feras e também tem forte ligação com curas espirituais, pois utiliza a energia etérea emanada das ervas para realização de curas.
Oxóssi também está associado ao conhecimento, aquele que busca ou “caça” o conhecimento externo e interno. Ele traz a mudança, o aprendizado, o saber se comunicar e ouvir.

Na África sua importância era dividida em 4 fatores:
1.         Material – protegendo os caçadores, tornando suas expedições eficazes e abundantes;
2.       Médica – por passar muito tempo na floresta e com o Orixá Ossain, divindade das folhas terapêuticas, passou a utilizar os saberes de cura;
3.     Social – durantes as expedições de caça, podia-se descobrir locais favoráveis para instalação de novas aldeias.
4.     Administrativa/Policial – antigamente, somente os caçadores (Odé) possuíam armas nos vilarejos, servindo também como guardas das aldeias.

Ofá símbolo do caçador


O Ofá é o Arco e Flecha – Arquétipo do Poder Vital, força, flexibilidade, intenção, dinamismo e decisão.

Antigamente os caçadores precisavam lutar corpo a corpo com suas presas, o que era uma situação extremamente perigosa para eles, em alguns casos eles atiravam dardos ou lanças, mas este método ainda impossibitava a caçada de aves.

Então foi criado o Arco e Flecha, que pode-se considerar uma criação extremamente inteligente, pois permitia que os caçadores atingissem suas presas de longe e em silêncio, evitando o contato corpo a corpo e garantindo sua segurança. Ele passou a proteger o homem, melhorando a sobrevivência de todos.
           
Para utilizar o Arco e flecha, além de uma ótima pontaria é necessário em estado psicológico adequado, ou seja, o caçador deveria estar calmo e em equilíbrio para ter uma caçada bem sucedida e voltar em segurança para sua casa.

O Ofá (arco e flecha) é o símbolo de Oxóssi e nos deixa a mensagem de que para atingirmos nossas metas é necessário a busca pelo equilíbrio interior. Para atingirmos nossos alvos, requer concentração, inteligência e intuição.


Itan: Oxóssi mata o pássaro das feiticeiras

“Todos os anos, para comemorar as colheitas dos inhames, o rei de Ifé oferecia aos súditos uma grande festa.

Naquele ano, a cerimônia transcorria normalmente, quando um pássaro de grandes asas pousou no telhado do palácio. O pássaro era monstruoso e aterrador, o povo assustado, perguntava sobre sua origem.

A ave foi enviada pelas feiticeiras, as Iá Mi Oxorongá, nossas mães feiticeiras, ofendidas por não terem sido convidadas.

O pássaro ameaçava o desenrolar das comemorações, o povo corria aterrorizado.
E o rei chamou os melhores caçadores do reino para abater a grande ave.
De Idê, veio Oxotogum com suas vinte flechas
De Morê, veio Oxotogi com suas quarenta flechas
De Ilarê, veio Oxotadotá com suas cinquenta flechas

Prometeram ao rei acabar com o perverso bicho, ou perderiam suas próprias vidas.
Nada conseguiram, os três Odés gastaram suas flechas e fracassaram, foram presos por ordem do rei.

Finalmente, de Irém, veio Oxotocanxoxô, o caçador de uma flecha só, se fracassasse, seria executado junto com os que o antecederam.
A mãe do caçador, temendo a vida do filho, consultou um babalaô, que recomendou que ela fizesse um ebó que agradasse as feiticeiras e ela seguiu a recomendação e fez.

Nesse momento, Oxotocanxoxô tomou seu Ofá, apontou atentamente e disparou sua única flecha, matando a terrível ave. As Iá Mi Oxorongá estavam apaziguadas.

O caçador recebeu honrarias e metade das riquezas do reino, os outros caçadores foram libertos e todos festejaram. Todos cantaram louvou a Oxotocanxoxô, o caçador Oxô ficou muito popular, cantavam em sua honra, chamando-o de Oxóssi, que na língua do lugar quer dizer “O Caçador de Oxô é popular”. Desde então Oxóssi é seu nome”

Vocabulário:
Ifé – nome do reino
Odé – Caçador
Ebó – Oferenda
Ofá – Arco e Flecha


Analisando esta lenda, podemos chegar em reflexões interessantes em relação a Oxóssi. Esse Orixá pertence a floresta, a floresta representa nossa mente consciente e inconsciente, nossa vida.

O pássaro representa o Medo, o medo de viver, o medo de se movimentar, o medo de se conhecer, o medo de se curar. Mostra que antes de Oxóssi, três caçadores tentaram enfrentar o pássaro, todos eles com muitas flechas e nenhum conseguiu realizar tal tarefa, por quê?

Fica claro que em nossas vidas, não precisamos de milhares de flechas para enfrentar nossos problemas, nós precisamos de uma única flecha que se chama foco, quando temos foco, não importa a grandeza dos nossos medos e das nossas fraquezas, pois estamos focados em destruir aquele mal que vive dentro de nós. Mostra também que a mãe dele, preocupada, foi buscar uma orientação espiritual e seguiu as coordenadas dada, isso representa a .

Concluindo, não importa o tamanho dos desafios (pássaro) que assombram nossa mente (floresta), quando temos Fé e Foco (única flecha) eles são resolvidos com inteligência, força, dinamismo e responsabilidade.

v  Saudação: Okê aro;(Salve o grande caçador)
v  Cores: Verde
v  Símbolos: Ofá (arco e a flecha de ferro fundido);
v  Oferendas: Velas, Frutas, charutos, flores e ervas.

Okê Aro!
Minhas mais humildes reverências!
Juliane Camargo 




Bibliografia
As Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017;
As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;
Marketing e Arquétipos: Simbolos, poder e persuasão – Hélio Couto, Ed: Hélio Couto LTDA – SP, 2004
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;
Umbanda Sagrada: Religião, Ciência, Magia e Mistérios – Rubens Saraceni - São Paulo: Ed. Madras, 2017;

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Oxalá, o Pai


Oxalá o maior dos Orixás
             No candomblé cultua-se os Orixás Funfun, que são os Orixás brancos, hierarquicamente são os mais elevados da cultura africana, pois estão diretamente ligados a criação. Vamos falar especificamente do Pai de todos, o grande Oxalá e suas duas manifestações muito importantes: Oxaguian e Oxalufan. No Sincretismo Oxalá está ligado a figura de Jesus Cristo
Oxalá é o grande Orixá, o grande criador, seu poder não tem lugar para se manifestar, todos os lugares são seus, ele está reinando acima de tudo e de todos, seu poder não tem limites.  Sua força de atuação está no Ar e no tempo. Ele traz a Fé, o equilíbrio e a doutrina em nossas vidas. As entidades que se apresentam como representantes de Oxalá, são na maioria das vezes milenares, pois após o desencarne um espirito percorre todas as linhas de forças (outros Orixás) para então poder atuar na linha branca, na linha de Oxalá. Quando a entidade chega nesse grau, é porque já conhece todos os pontos de forças da natureza e seus campos de atuação. 
Oxalá é um pai amoroso que ampara todos os seus filhos e não abandona nenhum deles. Ele nos ensina a lição da generosidade, a exercermos a solidariedade para com os outros, sem preconceitos e sem julgamentos.

Lenda- Oxalá Cria a Terra
No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio d’água, um lugar inóspito, sem nenhuma serventia. 
Acima dele havia o Céu, onde viviam Olorum e todos os Orixás, que as vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres. Desciam por teias de aranhas penduradas no vazio. Ainda não havia terra firme, nem o homem existia.
Um dia Olorum chamou à sua presença Oxalá, o grande Orixá, disse-lhe que queria criar terra firme lá embaixo e pediu-lhe que realizasse tal tarefa. Para a missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos.
Oxalá desceu ao pântano e depositou a terra da concha sobre a terra e pôs a pomba e a galinha e ambas começaram a ciscar. Foram assim espalhando a terra que viera da concha até que terra firme se formou por toda parte.
Oxalá voltou a Olorum e informou-lhe o sucedido e Olorum enviou um camaleão para inspecionar a obra de Oxalá e ele não pode andar sobre o solo que ainda não era firme. O camaleão voltou dizendo que a terra era ampla, mas ainda não suficiente seca.
Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia de que a Terra era ampla e suficientemente sólida, podendo-se agora viver em sua superfície.
O lugar mais tarde foi chamado de Ifé, que quer dizer ampla morada.                
Depois Olorum mandou Oxalá de volta à Terra para plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem. E veio a chuva para regar as árvores. Foi assim que tudo começou. Foi ali em Ifé, durante uma semana de quatro dias, que Oxalá criou o mundo e tudo o que existe nele.
Ele tem duas manifestações que devemos considerar:
Oxalufan – é o Oxalá mais velho o Opaxorô que o sustenta, um bastão de metal branco com a imagem de um pássaro, ele anda curvado por causa do tempo, os anos lhe pesam no corpo, ele é vagaroso como um idoso com dores. É Está diretamente ligado com a tranquilidade, paz, sabedoria e paciência.

Oxaguian – é o um Orixá jovem, forte e guerreiro. Em suas mãos estão o escudo, espada e mão de pilão. Ele é o Orixá responsável por encorajar seus filhos nas lutas diárias para que eles possam superá-las. É dinâmico e está sempre em movimento, ele rege a inovação. Oxaguian significa o Orixá comedor de inhame.

Lenda Oxaguian inventa o pilão
Oxalá, rei de Ejigbô, vivia em guerra. Gostava de guerrear e comer, apreciava uma mesa farta, comia caracóis, canjica, pombos brancos, mas gostava mais de inhame amassado.
Ele jamais se sentava para comer se faltasse inhame. Seus jantares estavam sempre atrasados, pois era muito demorado preparar o inhame. Oxalá estava assim sempre faminto, sempre castigando as cozinheiras, sempre chegando tarde para fazer a guerra. Então após consultar os babalaôs e fazer suas oferendas a Esú, trouxe uma nova invenção para a humanidade, o pilão.
Com o pilão ficou mais fácil preparar o inhame e Oxalá pôde se fartar e fazer todas as suas guerras. Tão famoso ficou o rei de Ejigbô por seu apetite pelo inhame que todos agora o chamam de Oxaguian – “Orixá comedor de inhame pilado”.
Refletindo sobre as lendas desse grande Orixá, fica claro que ele sempre trabalha com as energias de paz, humildade e serenidade, porém mostra que esses não são seus únicos atributos.
Ele é um mestre criador e com essa energia de criação, pode nos proporcionar mais criatividade para resolução de nossos problemas, nos fazendo enxergar soluções nas coisas mais simples de nossas vidas.
Mesmo ele sendo o grande representante da Paz, quando se faz necessário Oxalá também vai pra guerra, sob a sua manifestação de Oxaguian, diante da grande luz desse Orixá a batalha é resolvida rapidamente e a paz volta a reinar.
Quando estivermos em situações conflitantes em nossas vidas, podemos chamar a energia de Oxalá que com certeza nos trará o instrumento necessário naquele momento, que pode ser a paz, a criatividade ou a guerra, essa guerra no sentido bom, de reestabelecimento da paz.
A é o atributo mais apreciado por ele. A humildade é aquilo que mais exige de nós. A bondade é a melhor forma de nos apresentarmos diante dele. Para conhece-lo melhor devemos adquirir seus quatro atributos fundamentais: Pureza, Bondade, Humildade e Simplicidade.

v  Cores: Branco;
v  Saudação: Epa Bàbá! (Oxalá/Oxalufan); Exeuê, Babá! (Oxaguian)
v  Símbolos: Opaxorô (cajado com pássaro na extremidade) e o Pilão.
v  Oferendas: Canjica Branca, Uva verde, pêra, maçã verde, nozes, castanhas, amêndoas, Lírio branco, copo de leite e flores brancas no geral. Inhame pilado (Oxaguian)

Epa Bàba!
Exeuê, Babá!
Minhas mais humildes reverências!
Juliane Camargo 
(membra Templo Polimata Boituva) 

Referências
As Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017;
As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.
Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;
Umbanda Sagrada: Religião, Ciência, Magia e Mistérios – Rubens Saraceni - São Paulo: Ed. Madras, 2017;

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Maria "La Sabia"

    Maria Sabina, la mujer espiritu, foi uma curandeira mexicana muito conhecida entre os anos 60 e 70, radicada em Huautla de Jimenez, pequena cidade do interior mexicano a cerca de 200 km de Oaxaca, nas montanhas Mazateca. Sua vida foi cercada de provações, como todo grande espirito, passou fome, viu seu filho ser assassinado, aprendeu através da dor e da necessidade a curar os males da alma, do corpo e da mente com a ajuda de "los niños santos" ou "minhas crianças" como se referia aos cogumelos do gênero Psilocybe mexicana,  sua fama chegou aos EUA e a Europa, transformando-a em um dos símbolos da contracultura dos anos 60, mesmo com tanta fama e sendo reverenciada como uma santa em algumas regiões do México, sua vida terminou como começou, na pobreza em meio as montanhas, não recebeu quase nada por seus rituais, suas canções e seus cogumelos.

  Seu avô e bisavô também foram shamans Mazaltec, parte de seus conhecimentos provem de sua família, Maria Sabina foi a primeira curandeira a abrir seus rituais de Velada para estrangeiros, o que lhe trouxe fama, muitos ícones pop da época como John Lennon, Mick Jagger e outros músicos, artistas e cientistas foram ter com a curandeira suas experiencias enteógenas. Infelizmente devido a atitude hedonista e pouco sacramental dos estrangeiros que desvirtuaram seus trabalhos de cura, maria se tornou profundamente incomodada com a situação chegando a afirmar que a pureza dos cogumelos havia acabado e que nunca mais eles teriam sua força de volta.
Psilocybe mexicana
     Através da ingestão dos "cogumelos mágicos" a shaman se conectava com os espiritos ancestrais que a guiavam nos processos de cura, ela mesma relatou que antes dos estrangeiros as pessoas recorriam aos niños santos unica e exclusivamente para curar suas mazelas, agora as pessoas buscam através da experiencia psicodélica um contato com o divino, por incapacidade pessoal de se conectar ou por simples hedonismo, apenas uma experiencia psicodélica.
    Sua história é um exemplo de luta e simplicidade, e a resignificação que fizeram de seus cogumelos nos servem aos dias de hoje como um alerta para o quanto deixamos de nos conectar com Deus e banalizamos a sacralidade de um momento em detrimento de desejos egoicos de "ficar loucão" de ter uma experiencia, mas no fim não saber o que fazer dessa experiencia.
Matéria da revista Life Magazine que trouxe fama mundial a Maria Sabina nos anos 50

a seguir alguns vídeos que complementam o conhecimento a cerca da Velada e de Maria Sabina

                                                    Palavras do Mestre Nuno

                                           MARIA SABINA, mujer espíritu   

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Mamãe Iemanjá – Dona das águas, senhora do mar e mãe dos Orixás




No dia 02 de Fevereiro é comemorado o dia de Iemanjá, no sincretismo Nossa Senhora dos Navegantes.  Senhora dos mares, rainha da costa brasileira e amada por todo país, essa grande orixá é muito generosa com os fracos e desamparados. A associamos as formas femininas mais delicadas, belas e sensíveis, com uma energia receptiva lunar, sedutora e cativante.
            Ela está em tudo e todos o tempo todo, pois tem como atributo estimular a geração dos seres, ou seja, atua intensamente na vida das pessoas captando todas as vibrações mentais geradoras e estimulando-as de dentro para fora para que gerem coisas em suas vidas.
Os mares são os domínios de Iemanjá, e assim como o mar, as vezes calmo e por horas revoltos, a mensagem que essa grande mãe vem nos passar vai depender muito do momento que você está passando em sua vida.
            O otimismo e a mente firme vêm com o mar tranquilo e sem ondas para te proporcionar momentos de beleza e felicidade. Já a mente cansada ou confusa pode trazer um mar turbulento, onde algumas modificações ocorrerão em nossas vidas, nem sempre as coisas chegarão de forma tranquila e a falta de perseverança pode nos enganar com Iemanjá, avaliando mal as situações ou fugindo delas, se esquivando dos problemas, o mar revolto é causado por nós mesmos, pelas nossas atitudes. Quando Iemanjá chega traz consigo a mudança, onde serão necessárias tomar providências em nossas vidas ou a pressão das águas e dos fatos nos levará a isso.
Segundo algumas lendas, ela sempre gostou de ser amada e bem tratada e ela traz consigo essa energia.  Ela proporciona reflexões a beleza e harmonia dos relacionamentos como um todo, trazendo a compreensão e a renovação contínua das situações amorosas e familiares.
Iemanjá também simboliza a abundância e fluidez em nossas vidas, assim como as ondas do mar elas trazem movimento, as ondas devolvem as praias todas as impurezas que são jogadas no mar, da mesma forma atua em nosso emocional, tornando visíveis sentimentos e emoções para serem curados com o amor dessa grande mãe.

Itan – Iemanjá salva o Sol de extinguir-se

Orun, o Sol, andava exausto, desde a criação do mundo ele não tinha dormido nunca, brilhava sobre a terra noite e dia, ele já estava pronto a exaurir-se e se apagar por completo.
Com seu brilho eterno, Orun maltratava a terra, ele a queimava dia após dia, tudo estava praticamente acabado e os humanos não estavam sobrevivendo.
Os Orixás estavam preocupados e se reuniram para encontrar uma saída e foi Iemanjá que trouxe uma solução. Ela guardara sob as saias alguns raios de sol e projetou-os sobre a Terra e mandou que o sol fosse descansar para depois brilhar novamente.
Os fracos raios de luz formaram um outro astro. O Sol descansaria para recuperar suas forças e enquanto isso reinaria Oxu, a Lua, sua luz fria refrescaria a Terra e os seres humanos não pereceriam no calor.
Assim graças a Iemanjá, o Sol pode dormir. Á noite, as estrelas velam por seu sono, até que a madrugada traga outro dia.”
Como reflexão, atualmente vivemos muito como Orun, energia masculina e racional, as vezes somos egoístas e queremos ser únicos em tudo, rígidos e resistente as mudanças sem nos dar conta que estamos nos prejudicando e as pessoas de nosso convívio. Vamos permitir que Iemanjá graciosamente traga Oxu em nossas vidas, a energia feminina e espiritual, tranquilidade, harmonia e principalmente o equilíbrio em nossas vidas.
v  Cores: azul claro e branco;
v  Saudação: Odoyá;(significa grande mãe – Odo =grande, kiá = mãe)
v  Símbolos: abebé (leque), concha (representa o feminino)
v  Oferendas: rosas brancas, perfumes de colônia, folha de alfazema, flores brancas, incensos de flores, velas azuis claras ou brancas.

Linha das Sereias e Marinheiros de Iemanjá


As “Sereias”, os “Marinheiros” e os “Piratas” são guias espirituais que respondem diretamente a Iemanjá.
As Sereias podem se manifestar durante os cantos a Iemanjá, elas têm um poder de limpeza, purificação, e descarrego de energias muito forte. Elas não costumam falar, só emitem um canto, que na verdade é a sonorização de um poderoso “mantra aquático” diluidor de energias, vibrações e formas pensamentos que se acumulam no ambiente e em nossos campos energéticos. Elas são ótimas para anular magias negativas, afastar obsessores e espíritos desequilibrados ou vingativos.
Os Marinheiros são entidades alegres e cordiais, na umbanda acredita-se que são espíritos de antigos marujos, pescadores, guardas-marinhos e capitães do mar. Quando eles chegam dão a impressão de estarem “bêbados”, porém o termo correto seria “mareado”, esse termo é usado para alguém que permaneceu muito tempo no mar a bordo de uma embarcação que balança muito e uma vez em terra firme não conseguem ficar em pé. Esse balanço que eles trazem é devido ao magnetismo aquático que carregam consigo, a energia de movimento das ondas.
Eles são ótimos para casos de doenças, para cortar demandas e para descarregar locais de trabalhos espirituais, enviando para o fundo do mar todos os fluidos nocivos de suas limpezas. Os marinheiros são uma linha de grande força, especializada na descarga pesada de casas espirituais, onde o termo “Já lavei meu tombadinho (piso do navio), já deixei tudo limpinho” é muito usado por eles, mostrando os seus objetivos em nossos templos. Nunca andam sozinhos, quando em guerra unem-se em legiões, fazendo valer o princípio de que a união faz a força, o que os torna imbatíveis nesse sentido.
Os Piratas também se apresentam com a força de Iemanjá, eles têm uma atuação mais específica, pois trabalham o nosso interno, nossos sentimentos enterrados e perdidos com o tempo. Eles nos auxiliam a limpar os nossos porões íntimos, nos permitindo a encontrar nossos maiores tesouros perdidos. Trabalham também fortemente na quebra de demanda e com energias mais densas que os Marinheiros, seria como se eles fossem a esquerda que atuam na corrente das águas de Iemanjá.

Odoya Mamãe Iemanjá!
Salve a Marujada!
Saravá os Piratas!
Salve todo o povo do mar!
Minhas mais humildes reverencias!
Juliane Camargo***
Referências
As Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017;
As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.

*** Juliane Camargo é membra do Templo Polimata Boituva e parte do clã e corpo mediúnico da casa
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Templo Polimata Boituva  tem o prazer de anunciar e convidar a todos a fazerem parte da comemoração e louvor a nossa Rainha do Mar !


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

OGUM - ARCANO VII - A CARRUAGEM

O Carro no tarot mitológico

INTRODUÇÃO


O tarot, representando aspectos e faces da jornada espiritual e humana, relaciona-se diretamente com forças e necessidades que foram contempladas pelo culto aos orixás e que, nós, como caminhantes do polimatismo, podemos absorver de forma mais ampla, a fim de compreender melhor as partes do todo. Seguindo esse raciocínio, podemos entender que o arquétipo do orixá Ogum e do arcano VII do tarot, o Carro ou Carruagem, estão relacionados e cruzados em diversas formas, dentro das simbologias apresentadas em ambos. Explanaremos a seguir como se relacionam a lâmina e Orixá Guerreiro, a fim de entender como os aspectos dessa fase da jornada estão refletindo suas semelhanças e possuem a mesma fonte divina.
Primeiramente, faz-se necessário entender os elementos que permeiam a carta em si, e de que forma elas se relacionam com a força do arquétipo de guerreiro, denotando batalha, vitória, triunfo, movimento, ação, determinação, domínio, etc.


O Triunfo de Marco Aurelio


O TRIUNFO
Palavras-chave: vitória, triunfo, marte, guerra, roma

O triunfo, (em latim triumphus) é uma cerimonia e tradição civil e religiosa que tem origem na Roma antiga. Nesse rito, era dado o direito a um líder militar vitorioso em batalha que desfilasse em uma carruagem por uma procissão, a fim de apresentar sacrifício aos deuses e mostrar-se ganhador perante a população. Para ser um vir triumphalis (homem do triunfo), era preciso enviar uma solicitação e um relatório ao senado. O desfile triunfal colocava o vir triumphalis quase em pé de igualdade a um semideus, e era concedido apenas por mérito militar excepcional. A rota do triunfo romano tinha origem no Campo de Marte (planeta regente de Ogum e deus romano relacionado à guerra e à agricultura), uma zona pública bastante populosa do império. Apesar do caráter de homenagem e exibição do general bem sucedido, ele costumava se portar com humildade e prostrar-se perante às divindades, reconhecendo sua vitória em nome do senado, do povo e dos deuses de Roma, levando sacrifícios animais à estes. O triunfo romano é uma vívida materialização da lâmina analisada, como podemos observar nas imagens abaixo.


O Triunfo de Aemilius Paulus (Carle Vernet)




ARQUÉTIPO DE OGUM NA LÂMINA
Palavras-chave: ferro, tecnologia, armas, militarismo

   O arquétipo do orixá Ogum é, necessariamente, de um guerreiro triunfante. O deus de origem yorubá é o senhor dos caminhos, das armas, das demandas, da guerra e agricultura. O militarismo, a espada, as batalhas e as vitórias estão todas relacionadas a ele. O desenvolvimento tecnológico também é creditado a esse deus, pois ele regeu a saída da humanidade da pré-história para a Idade do Ferro, momento no qual o homem obteve domínio sobre técnicas de fundição do ferro e sua utilização para ferramentas e armas, marcando assim o início de uma nova era para a humanidade. Atualmente, dentro da renovação do culto aos orixás e novas tradições, temos Ogum relacionado à guerra interna dos caminhantes espirituais que precisam vencer a si mesmos. Dessa forma encontramos seu sincretismo com São Jorge, soldado romano comumente visto em suas imagens montado em um cavalo e triunfante sobre um dragão. O cavalo de São Jorge significa os impulsos inferiores do homem que precisam ser dominados a fim de acessar a grande vitória sobre si próprio. O cavalo de Ogum, portanto, está presente na Carta e trataremos mais detalhadamente a respeito do animal em tópico próprio.


Batalha de Kurukshetra


A CARRUAGEM
Palavras-chave: domínio, movimento, ação, deslocamento, determinação

A carruagem, também conhecida como carro, representa movimento e ação. Montada em cima de rodas, nos da a idéia de deslocamento de um ponto a outro. Vista em cenários de batalhas, está presente na Guerra de Kurukshetra. Nessa batalha, Krishna e Arjuna se encontram em uma quádriga - considerada a carruagem dos deuses e heróis - e vão em direção à vitória. Na quádriga, encontramos hasteada a bandeira de Hanuman, fazendo alusão à invencibilidade. A carruagem no tarot, dominada por seu dirigente, representado com vestimentas nobres, com adornos, coroa e cetro, nos remonta à determinação e domínio. Assim como São Jorge domina seu cavalo, aquele que tomar as rédeas da própria carruagem e governar seus cavalos irá se dirigir impreterivelmente a ganhar. É a execução tomada após uma decisão, com pulso firme e júbilo, ao mesmo tempo em que é um desfile de um vencedor que já obteve sucesso. Esse é o simbolismo do invencível, do guerreiro corajoso e destemido.


O CAVALO

A medicina do cavalo é muito ampla. Tanto no arcano como no arquétipo de Ogum, ele representa a natureza inferior do homem, seus sentidos, suas forças inconscientes e o fim da desgovernança de si próprio quando enfim dominado. Ainda, é um animal que, junto com o resto da simbologia, nos remete à movimento, locomoção, caminhos, desenvolvimento e ação. É onde os guerreiros montam para irem à batalha. Não obstante, exala beleza e imponência, é um animal forte e veloz, que traz abertura de passagens e transição. Quando o homem domou o cavalo, a velocidade das viagens, antes lentas e pesarosas, tornou-se mais rápida, dinâmica e menos trabalhosa, pois agora o cavalo também carregava cargas. Isso proporcionou um avanço imenso no desenvolvimento da humanidade. Na antiguidade, possuir esses equinos era símbolo maior do poder bélico de um exército. Aquele que possuísse uma carro de guerra guiado por eles obtinha uma enorme vantagem sob seus rivais.

O Carro no tarot de Marselha

CONCLUSÃO

 O arquétipo do tarot e a força do Orixá se convergem em vários pontos. Ambos são figuras masculinas nobres, dominadores de cavalos, direcionadores de caminhos vitoriosos e trazem a figura do invencível, do guerreiro obstinado, da determinação em movimento, do triunfante. Ação e velocidade. Nem a carruagem e nem Ogum perdem tempo naquilo que não interessa na batalha.













O Carro em tarôs clássicos: Jacques Vieville (1650)  Jean Noblet (1650),  Nicolas Convert (1760) e  François Tourcaty (1800)

por Beatriz Mazzini, membra do clã Templo Polimata Campinas



REFERENCIAS

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Reflexões de Sabedoria 3

Faça o que estiver fazendo da melhor maneira possível.


A busca da impecabilidade, sempre me lembra um satori de reflexão. Se você estivesse amarrando o cadarço de seu sapato na rua e verifica-se que um enorme piano de calda estivesse caindo sobre a sua cabeça, não havendo nenhuma escapatória, o que você faria?
Amarraria por perfeição e impecabilidade o sapato com seu último ato de consciência perante a Morte, ou simplesmente se desesperaria perante a inevitável mortal contradança cósmica que ela é sua parceira?

Me lembro do Mestre Don Juan de La Montanha, que tive o enorme prazer de conhecer.
Estávamos conversando, no final de uma tarde, a exatos 3 dias antes de sua passagem para o outro plano, nos últimos momentos em que terminaria a grande batalha da vida e esperava a Morte, sorrindo, para sua última e teatral dança cósmica e me diz:
“Estoy preparado, llegó el momento de bailar con la muerte, pero antes hijo, tengo un hermoso suelo que he pensado y juntos haremos una hermosa danza cosmica, quiero que veas.”
Enfrente seu destino, sua trajetória de vida, enfrentando o que se apresenta em sua jornada, em sua missão, quando assim a encontrá-la.
Dar o melhor de nós a cada instante, é o mínimo que se espera de um realizador genuíno dentro dos 3 campos de ação (material, emocional e espiritual).
Realizando a prova viva de nossa capacidade, sempre dando o máximo em nossa realização.
A impecabilidade é um perfil importante na vida, muitos iluminados caminharam sobre esta diretriz em sua jornada espiritual de ascensão de consciência, somado ao amor na plataforma de bhakti, a ação devocionalmente que nos conduz em alegria e harmonia para que possamos mais uma vez termos a oportunidade de nos conhecermos, e assim nos aproximarmos das diversas Personalidades de Deus que se manifestam no coração de cada caminhante deste mundo.
Hoje tenho passado por um caminho de realização deste princípio, me encontro atualmente no meio da floresta amazônica, próximo à fronteira do Brasil com o Peru, estado do Acre, criando algo novo do início, estamos construindo casas, ruas, infraestrutura, agricultura... O que levará anos para a conclusão do Projeto Nawa, debaixo de chuvas intensas ou sol, insetos…. Porém cada estrutura está sendo feita com os devidos departamentos de engenharia, arquitetura, paisagismo, autossuficiência, botânica....
Com carinho, dedicação, realização, amor e consciência do que estamos construindo, para a Ordem Polimata à Humanidade e por cada um de nós, tudo envolto a impecabilidade. Fazendo da melhor maneira possível, dentro do tempo e circunstâncias que se apresentam.
Quando caminhamos com esta premissa, nos transportamos para outra plataforma de conhecimento e realização, afinal para que você alcance impecabilidade será necessário um aprofundamento de conhecimentos e aplicação pratica em seu processo.
Em outras palavras estudar, meditar e aplicar, como a máxima alquímica.

Ore, Lege, Lege, Relege, Labore et Inseriere

Reze, Leia, Leia, Releia, Trabalhe e Incorpore, no caso o conhecimento que tem foco buscador da impecabilidade colocando em pratica em sua vida, no dia-a-dia para a sua realização, superação dentro dos 3 campos de ação. O foco inicial é VOCÊ.

Brasil, Acre, 20/10/2018
Minhas mais humildes reverências a Mestre Don Juan de La Montanha
Atenciosamente, deste simples servo do caminho.
Mahasurya Swami